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Do exílio ao anonimato: túmulo de ditador está sem identificação

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Do exílio ao anonimato: túmulo de ditador está sem identificação

Era 17 de agosto de 2006 quando o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner foi enterrado no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul (DF). Coberto pelas bandeiras do Paraguai e do Partido Colorado, o caixão foi sepultado em uma cerimônia discreta. Quase 20 anos depois, o túmulo já não guarda qualquer vestígio visível daquele responsável por comandar a ditadura paraguaia por mais de três décadas.

Quem passa pelo local dificilmente imagina que ali está enterrado um dos personagens mais controversos da história da América do Sul. Não há lápide, identificação ou qualquer outra referência que indique que os restos mortais do militar estejam a sete palmos do chão.

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Túmulo de Stroessner à época em que foi enterrado
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Metrópoles
Jazigo em que o ex-ditador foi enterrado não possui nenhuma identificação ou menção ao paraguaio
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Jazigo em que o ex-ditador foi enterrado não possui nenhuma identificação ou menção ao paraguaio

LUIS NOVA / METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Túmulo de Stroessner à época em que foi enterrado
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Túmulo de Stroessner à época em que foi enterrado

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Em nota, a Campo da Esperança disse que não é possível afirmar se a identificação foi retirada pela própria família. Segundo a administradora, os familiares poderiam ter feito isso para dificultar a localização e evitar possíveis atos de retaliação e vandalismo ao túmulo.

Outra possibilidade para o desaparecimento da identificação do ex-ditador pode estar relacionada a onda de furtos e vandalismos em túmulos no DF que vem acontecendo desde o início do ano. Em fevereiro, por exemplo, foram feitas diversas denúncias acaso de furtos das placas de túmulos no mesmo cemitério em que Stroessner está enterrado.

Apesar de existir essa possibilidade, a administradora afirma que “não há registo de furto da plaqueta de identificação do jazigo de Alfredo Stroessner”.


Quem foi Stroessner

  • Alfredo Stroessner comandou o Paraguai por quase 35 anos sob um dos regimes ditatoriais mais longos da América do Sul;
  • O ex-ditador governou o país latino-americano entre 1954 e 1989, após um golpe militar, em um período que ficou conhecido como “El Stronato”;
  • Ao longo de seu governo, milhares de pessoas desapareceram, foram mortas ou perseguidas;
  • As evidências foram localizadas em 1992, quando um ativista dos Direitos Humanos e vítima do Stronato encontrou documentos que foram chamados de “Arquivo do Terror”;
  • Em fevereiro 1989, Stroesnner foi deposto por um golpe militar liderado por Andrés Rodríguez, seu antigo aliado e consogro;
  • Expulso do Paraguai, recebeu asilo político no Brasil e passou a viver em Brasília, onde  viveu por 17 anos no Lago Sul, inicialmente na QI 9 e depois na QL 12;
  • Stroessner morreu aos 93 anos, em hospital particular de Brasília, após sofrer complicações de uma cirurgia.

Herança do militar

A ausência de identificação no túmulo contrasta com a disputa que ainda cerca Stroessner, mesmo depois de morto. Isso porque, enquanto o local do sepultamento permanece anônimo, a herança do ex-ditador continua sendo alvo de uma batalha judicial envolvendo seus descendentes.

Os bens de Alfredo Stroessner são pleiteados por Enrique Alfredo Fleitas, filho de uma amante do ditador paraguaio nos anos de 1970. No entanto, a filha do ditador contesta uma eventual falta de legitimidade.

Contudo, a paternidade do militar foi confirmada após a exumação do corpo do ex-ditador para o teste de DNA, em 2021. Para o exame, foram exumados do corpo sepultado do ditador: o crânio; a mandíbula com dois dentes; e os dois úmeros.

Os perfis genéticos analisados revelaram que o material do paraguaio apresentava os alelos paternos identificados em Enrique.

“Considerando o objetivo pericial proposto, os signatários concluem que Alfredo Stroessner (suposto pai) apresenta um perfil genético compatível com a condição de paternidade biológica em relação a Enrique Alfredo Fleitas (filho questionado). A probabilidade de paternidade obtida é de 99,99999998%“, concluíram os peritos em laudo.

Com a provação do vínculo, Enrique, em meio a uma ação que tramita na Justiça do DF, busca localizar os bens do ex-presidente Paraguaio para concluir o inventário e a divisão de bens.

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