A temperatura da crise entre o Supremo e a Polícia Federal baixou um grau após a reunião entre os ministros André Mendonça, do STF, Wellington Cesar, da Justiça, e Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União (AGU).
O encontro ocorreu na manhã desta quinta-feira (6/8) e foi proposto pelo chefe da AGU. Como revelou a coluna, Messias se colocou como bombeiro para reconstruir as pontes entre o ministro e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, mas descartou questionar a determinação de André Mendonça judicialmente. Conseguiu restabelecer parte desse diálogo.
O impasse revelado pela coluna é o seguinte:
- O ministro determinou que a PF submeta ao seu gabinete todo o material bruto das investigações da Farra do INSS. Com esse acervo, a equipe de Mendonça pode pesquisar um nome e verificar se ele aparece nos documentos apreendidos, incluindo conversas telefônicas. A PF sustenta que não há motivo para o magistrado ter acesso a esse conteúdo, já que cabe à Polícia Federal investigar, ao Ministério Público denunciar e ao ministro julgar
- Mendonça também exige autorizar qualquer mudança de delegado na equipe responsável pelo caso. A PF afirma que a medida fere a autonomia do trabalho policial. Para o ministro, porém, trata-se de uma forma de evitar interferência política em uma investigação que envolve o filho do presidente Lula e seu ex-chefe de gabinete.
A coluna apurou que Messias tentará agora um segundo movimento, ainda mais ousado: colocar na mesma sala o ministro do Supremo e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Neste momento, seria mais fácil conseguir lançar Lula como vice de Flávio Bolsonaro. Nesta quinta-feira, Andrei ganhou o apoio de todos os superintendentes da PF para o embate com o ministro do Supremo. Nenhum ministro do Supremo comentou o impasse.

Durante a reunião, houve queixas de ambos os lados sobre vazamentos de informações da investigação da Farra do INSS, que tem Lulinha como investigado em três inquéritos, além de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, responsável pela agenda presidencial. Com exceção da primeira-dama Janja, ninguém fala com o presidente sem passar por Marcola.
O braço direito de Lula deixou o governo e a campanha do petista à reeleição dias antes de a PF enviar ao Supremo pedido de abertura de inquérito que expôs a lobista Roberta Luchsinger pagando contas pessoais de Marcola, informação revelada pela coluna. Luchsinger está com tornozeleira eletrônica e é apontada como o elo entre o Careca do INSS, operador do esquema de desvio de dinheiro de aposentados, e Lulinha.
Ao fim da conversa no Supremo, ficou acertado que os procedimentos serão definidos em conjunto entre o gabinete do ministro e a PF. O entendimento foi avalizado pelo ministro da Justiça, que já não conta nem mesmo com o respeito do presidente Lula.

