A greve dos ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foi encerrada na tarde desta quarta-feira (5/8), mas a possibilidade de uma nova paralisação ainda não está totalmente descartada. Apesar de aprovar o retorno ao trabalho, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB) decidiu manter a categoria em estado de greve, o que permite uma nova mobilização, caso o Governo de São Paulo não cumpra os compromissos assumidos durante a negociação.
O fim da paralisação foi definido após uma audiência de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), que reuniu representantes do governo estadual e do sindicato. Em assembleia, a proposta foi aprovada por 131 votos favoráveis, enquanto 26 ferroviários defenderam a continuidade da greve. Com a decisão, os trabalhadores retomam imediatamente as atividades.
O principal ponto do acordo envolve a garantia dos empregos dos ferroviários durante o processo de reorganização da CPTM. Segundo o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governo apresentou um projeto de lei para assegurar a manutenção dos postos de trabalho. Além disso, ficou acertado que um acordo coletivo será formalizado nos próximos dias para registrar os compromissos firmados entre as partes.







Estação Brás da CPTM
Gabrielle Gonçalves/MetrópolesEstação Brás da CPTM
Gabrielle Gonçalves/MetrópolesTrânsito em São Paulo
William Cardoso/MetrópolesTrânsito em São Paulo
William Cardoso/MetrópolesTrânsito em São Paulo
William Cardoso/MetrópolesTrânsito em São Paulo
Rodrigo Freitas/MetrópolesTrânsito em São Paulo
Rodrigo Freitas/MetrópolesTrânsito em São Paulo
Rodrigo Freitas/MetrópolesTrânsito em São Paulo
William Cardoso/MetrópolesGreve da CPTM começou na terça-feira (4/8), afetou as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade e acabou com acordo de empregos dos ferroviários
Gabrielle Gonçalves - MetrópolesApesar da retomada da operação, o sindicato afirmou que continuará acompanhando o cumprimento do acordo. A entidade informou que manterá o estado de greve como forma de pressionar o governo a cumprir as garantias negociadas e não descarta convocar uma nova paralisação caso os compromissos assumidos não sejam respeitados.
A greve começou na terça-feira (4/8) e afetou as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM, provocando mudanças na rotina de milhares de passageiros da Grande São Paulo. Com o encerramento do movimento, as três linhas voltam a operar normalmente.
O que mais foi decido
Também ficou decidido que os ferroviários da CPTM não irão mais ensinar suas funções para a equipe da nova concessionária. Antes do início da votação na subsede do sindicato no Brás, região central de São Paulo, o governador Tarcísio já havia adiantado, em coletiva de imprensa, que apresentaria à Assembleia Legislativa do estado (Alesp) o texto que estabelece a absorção ou cessão dos trabalhadores por órgãos da administração pública estadual durante o processo de desestatização. Na oportunidade, Tarcísio afirmou que o envio seria feito somente caso a categoria se comprometesse a retomar a operação até a hora do rush desta quarta.
Caso os ferroviários decidissem pela continuidade da greve, a Justiça já havia determinado que 90% dos funcionários deveriam trabalhar em horários de pico e 70% nos demais horários. Em caso de descumprimento, o Tribunal fixou em R$ 5 milhões a multa diária aplicada à entidade, a partir de quinta (6/8).
No próximo dia 19 de agosto, a categoria volta a se reunir com o governo estadual para assinatura de um novo acordo coletivo que ratifique tudo aquilo que foi proposto em reunião anterior e aprovado na assembleia. Uma das exigências dos grevistas era de que o acordo também contemplasse os funcionários da Linha 10–Turquesa, atualmente a única que ainda segue sob gestão da CPTM — apesar de Tarcísio já ter sinalizado, no passado, interesse em concedê-la à iniciativa privada.
Greve na CPTM
Os ferroviários estão paralisados desde a manhã de terça-feira (4/8) pelo fim das privatizações no transporte ferroviário de São Paulo. A empresa privada Trivia Trens assumiu as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade no dia 21 de julho e, ainda nos primeiros três dias de operação, as linhas registraram diversas falhas e um incêndio.







Estação Paraíso das Linhas 1-Azul e 2-Verde do Metrô teve aumento de passageiros por conta da greve da CPTM
Isabela Thurmann/MetrópolesPor conta da greve na CPTM, algumas estações do Metrô tiveram maior número de passageiros
Enzo Marcus/MetrópolesEstação Penha da Linha 3-Vermelha do Metrô no sentido Barra Funda com maior número de passageiros
Enzo Marcus/MetrópolesEstação Itaquera da Linha 3-Vermelha do Metrô na manhã desta terça
Enzo Marcus/MetrópolesVagão de metrô lotado durante greve da CPTM em São Paulo nesta terça-feira (4/8)
Enzo Marcus/MetrópolesOs trabalhadores criticam a precarização da operação e reivindicam a volta da administração das linhas pela CPTM, além da garantia dos empregos dos grevistas. O governador garante que nenhum trabalhador foi mandado embora e que um Programa de Demissão Voluntário foi inaugurado somente para aqueles que tiverem interesse em deixar suas ocupações.
Segundo Tarcísio, se a Trivia quiser, os profissionais serão mantidos. No entanto, alguns funcionários das linhas 11, 12 e 13 já foram realocados para a Artesp, para o metrô e para outras linhas do transporte ferroviário. Ninguém perderá o emprego, conforme disse o governador.
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Entenda a greve
- O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB) decidiu paralisar as atividades a partir da meia-noite de terça-feira (4/8). A medida, aprovada em assembleia na tarde de segunda (3/8), atinge as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, do sistema ferroviário de São Paulo.
- Na semana passada, os ferroviários já haviam aprovado indicativo de greve para a data, caso não houvesse avanço nas negociações com o governo de São Paulo.
- Lideranças da categoria se reuniram com representantes do governo estadual na sede da Secretaria da Casa Civil, mas o encontro terminou sem acordo entre as partes.
- Entre as reivindicações da categoria, estão a reestatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, concedidas à Trivia Trens, a garantia de todos os empregos na CPTM e a aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 730/2025 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), com o apoio do governo. O texto prevê a absorção dos funcionários da estatal por órgãos da administração pública estadual após concessões.
- Com a paralisação, as linhas 11-Coral e 12-Safira funcionam em operação parcial desde a manhã de terça-feira. A 13-Jade teve o serviço interrompido por completo.
Quase 1 milhão de passageiros afetados no 1° dia de greve
Os impactos da greve nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foram sentidos logo na manhã de terça-feira (4/8) nas estações do Metrô de São Paulo. Algumas linhas como a 1-Azul e 3-Vermelha registraram trens e plataformas mais lotadas que o normal para o horário, além de filas nas catracas. A região mais atingida foi a zona leste, a mais populosa de São Paulo e atendida pelas linhas paralisadas.
Um vídeo mostra a fila nas catracas da estação Itaquera do metrô por volta de 6h desta terça-feira. Veja:
Para minimizar os impactos da paralisação, um plano de contingência precisou ser acionado. Na capital paulista, o rodízio de veículos foi suspenso pela prefeitura. Já o governo de São Paulo informou que os ônibus da operação Paese foram acionados para atender os passageiros nas estações mais afetadas das Linhas 11,12 e 13.
O Metrô também adotou medidas para reduzir os impactos: as estações das Linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata tiveram suas aberturas antecipadas para as 4h da manhã. Na Linha 3, foram adicionadas mais composições à circulação, e trens vazios podem ser enviados às estações que apresentarem maior lotação ao longo do dia.
A Polícia Militar do estado de São Paulo (PMSP) aumentou o número de policiais no entorno das estações afetadas pela greve. Os passageiros que precisam pegar trens observam, na manhã desta terça-feira (4/8), um contingente acima do comum perto das estações atingidas, especialmente na região leste da capital paulista.

