O mercado ilegal de combustíveis tem um impacto direto na arrecadação pública e no preço pago pelo consumidor. Especialistas apontam que fraudes fiscais, adulteração, lavagem de dinheiro e atuação de organizações criminosas já fazem parte de uma engrenagem que movimenta bilhões de reais todos os anos no Brasil.
Segundo estimativas do Instituto Combustível Legal (ICL), os crimes relacionados ao setor geram prejuízos anuais de aproximadamente R$ 30 bilhões ao país. Desse total, cerca de R$ 15,7 bilhões estão ligados a roubos, furtos, adulteração, fraudes em bombas e postos piratas. Outros RS 14 bilhões decorrem de fraudes administrativas e fiscais.
E para entender mais sobre esse tema, o Metrópoles convida Emerson Kapaz, presidente do ICL, e Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, para um bate-papo no dia 13 de agosto, às 14h30, em live no canal do portal no YouTube.
Sob o tema Combustível Ilegal: até quando o Brasil vai pagar essa conta?, o debate propõe traduzir um assunto técnico para uma conversa acessível e de interesse público, mostrando como a ilegalidade no setor afeta toda a cadeia econômica.
A discussão ganha ainda mais relevância diante do lançamento do programa federal Brasil Contra o Crime Organizado, anunciado pelo Governo Federal, com investimento de R$ 11,1 bilhões voltados à inteligência, integração entre estados e combate às estruturas financeiras das facções criminosas.
Em artigo recente, Emerson Kapaz alerta que facções e grupos criminosos passaram a disputar mercados formais, utilizando empresas de fachada, operações fiscais fraudulentas e esquemas financeiros sofisticados para ampliar a atuação econômica.
O crime organizado mudou de escala. Ele continua intimidando comunidades, mas também passou a controlar fluxos econômicos, lavar dinheiro e usar estruturas formais para ampliar seu poder.
Emerson Kapaz, presidente do ICL
Segundo uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Datafolha, cerca de 41,2% dos brasileiros, com 16 anos ou mais, reconhecem a presença de facções ou milícias nos bairros, o equivalente a cerca de 68,7 milhões de pessoas.
Entre aqueles que percebem essa atuação, 61,4% afirmam que esses grupos influenciam muito ou moderadamente as regras de convivência locais.
Impacto que chega ao consumidor
Embora o tema pareça distante da rotina da população, os efeitos são sentidos diariamente. Fraudes fiscais e concorrência desleal impactam diretamente o preço dos combustíveis, comprometem a arrecadação de recursos públicos e colocam em circulação produtos adulterados que podem causar danos aos veículos e riscos à segurança.
Além disso, empresas que atuam dentro da legalidade acabam competindo em desvantagem com operações irregulares que reduzem artificialmente preços por meio de sonegação e esquemas ilícitos.
Em 2025, após forte articulação entre setor produtivo e Governo Federal, foi aprovada uma legislação voltada ao combate de fraudes fiscais e à atuação de devedores contumazes.
A nova lei chega para diferenciar as empresas que acumulam dívidas tributárias de forma sistemática como modelo de negócio ilegal daquelas que estão enfrentando alguma crise financeira.
Quem é Emerson Kapaz
Empresário, administrador, ex-deputado federal por São Paulo e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Emerson Kapaz tem trajetória marcada pela atuação em desenvolvimento econômico, inovação e ética concorrencial.
Atualmente, preside o Instituto Combustível Legal (ICL), entidade que atua nacionalmente no combate à sonegação, adulteração e fraudes no mercado de combustíveis, promovendo articulação entre setor produtivo, autoridades públicas e sociedade civil para fortalecer mecanismos de fiscalização e aprimorar a legislação do setor.
À frente do ICL, Kapaz se tornou uma das principais referências no debate sobre os impactos econômicos e sociais da ilegalidade no mercado de combustíveis e a conexão com o avanço do crime organizado no país.
Quem é Renato Sérgio de Lima
Renato Sérgio de Lima é diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, além de professor do Departamento de Gestão Pública da FGV EAESP e bolsista de Produtividade do CNPq.
Foi secretário adjunto da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS) entre 2019 e 2020.
Possui graduação em Ciências Sociais (1995), mestrado (2000) e doutorado em Sociologia (2005) pela Universidade de São Paulo. Também fez pós-doutorado no Instituto de Economia da Unicamp (2010).
Foi Visiting Scholar no Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Cambridge, na Inglaterra (2017–2018). É coordenador da Linha de Pesquisa sobre Segurança Pública, Justiça e Cidadania do Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Públicas (MPGPP/FGV EAESP).
Recebe apoio do Research Project Pay (RPP) da FGV EAESP desde 2016 e desenvolve diversos projetos sobre violência, crime, segurança pública, transparência e estatísticas públicas.
Talk Combustível Ilegal: até quando o Brasil vai pagar essa conta?
Data: 13 de agosto
Horário: 14h30
Ao vivo no Youtube do Metrópoles

