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Nexus: 77% temem aumento no preço dos alimentos com chegada do El Niño

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Nexus: 77% temem aumento no preço dos alimentos com chegada do El Niño

Pesquisa Nexus divulgada nesta quarta-feira (5/8) aponta que a maior parte dos brasileiros teme as consequências da chegada do El Niño. Segundo o levantamento, o aumento no preço dos alimentos é a principal preocupação da população.

Para 77% dos entrevistados, o fenômeno climático afetará “muito” a inflação dos alimentos. Apenas 5% acreditam que os preços não serão impactados pelo El Niño.

O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, avalia que a memória recente de eventos climáticos extremos ainda influencia fortemente a percepção dos brasileiros sobre o El Niño.

“A memória da população das enchentes no Sul do país e os desabamentos no Sudeste ainda são recentes. O temor de que isso afete suas rotinas está muito presente, o que leva nove em cada 10 brasileiros a acreditarem que o El Niño terá impactos na infraestrutura do país, no abastecimento de água, na saúde das pessoas e no custo de vida”, aponta.


El Niño

  • El Niño é um fenômeno climático natural que acontece quando as águas da parte central e leste do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal. Isso altera a circulação dos ventos e influencia o clima em várias partes do mundo.
  • No Brasil, os efeitos variam conforme a região: no Sul, tende a chover mais; no Norte e Nordeste, podem ocorrer menos chuvas e mais seca; já no Centro-Oeste e Sudeste, os impactos incluem períodos mais quentes e mudanças no regime de chuvas.
  • Segundo nota técnica do Cento nacional de Monitoramento e Alertas de desastres Naturais (Cemaden), o El Niño de 2026 pode se tornar o mais forte da história moderna.
  • O fenômeno tende a interagir com o aquecimento global já em curso, elevando temperaturas médias e ampliando a intensidade de eventos extremos.

Ações do governo

Em entrevista ao Metrópoles nessa terça-feira (4/8), a ministra do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar, Fernanda Machiavelli, garantiu que o governo está adotando medidas preventivas para evitar aumentos abruptos nos preços dos alimentos, diante dos desafios climáticos previstos para 2026.

Entre as ações, está a compra de 300 mil toneladas de arroz para elevar o estoque público a 600 mil toneladas, volume equivalente a 5% do consumo nacional.

De acordo com a ministra, a iniciativa foi adotada após as enchentes no Rio Grande do Sul ocorridas em 2024, quando problemas logísticos impediram a distribuição do grão para outras regiões do país e contribuíram para a alta dos preços.

“Com isso, a gente tem 5% do consumo nacional garantido, evitando, caso ocorra qualquer evento que comprometa a nossa safra, a gente possa entrar e evitar uma oscilação de preço que não é desejada”, afirmou.

Além do arroz, o governo federal comprou 180 mil toneladas de milho, que serão destinadas à alimentação animal no Nordeste.

Assista à entrevista completa:

Machiavelli destacou ainda que o cenário atual é de queda nos preços dos alimentos. Segundo ela, após seis anos em que a inflação do setor permaneceu acima do IPCA, os dados mais recentes apontam deflação de 0,66% em julho, chegando a 1,14% nos alimentos consumidos no domicílio.

Na avaliação da ministra, essa redução tem ajudado a conter a inflação geral.

“A inflação de alimentos hoje está segurando o IPCA geral. Hoje ela é o nosso antídoto, porque a gente conseguiu, por meio do Plano Safra, expandir essa produção, aumentou a área plantada de alimentos e agora a gente tem oferta de alimentação saudável para alimentar as famílias brasileiras”, afirmou.

Apesar das ações anunciadas pelo governo para reduzir os impactos econômicos do fenômeno, Tokarski afirma que os brasileiros passaram a enxergar os eventos climáticos extremos como uma ameaça concreta.

Brasileiro teme impactos na infraestrutura do país

Além da preocupação com o custo de vida, os brasileiros também associam o El Niño a riscos para a infraestrutura e a saúde pública.

Segundo a pesquisa, 89% acreditam que o fenômeno afetará o abastecimento de água e provocará aumento na conta de energia elétrica. Outros 87% esperam impactos na infraestrutura das cidades.

Na área da saúde, 76% dos entrevistados afirmam que o El Niño poderá agravar problemas respiratórios em razão do calor e da seca, além de favorecer a disseminação de doenças associadas às enchentes.

A pesquisa ouviu 2 mil pessoas em entrevistas presenciais domiciliares realizadas em todos os estados. A amostra foi estratificada por sexo, idade, renda e região, e é representativa da população brasileira.

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