Últimas

Governo, vices e Senado: o que foi definido e o que falta em MG

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Governo, vices e Senado: o que foi definido e o que falta em MG

Belo Horizonte — No dia em que o prazo das convenções partidárias se encerra, a política em Minas Gerais segue com peças importantes indefinidas. Embora oito candidaturas ao governo do estado já tenham sido oficializadas, a disputa segue aberta no grupo da direita, que tenta definir quem dará palco para o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) no estado.

Além do Palácio Tiradentes, as negociações também envolvem a composição das chapas para vice-governador e a definição dos candidatos ao Senado. O prazo para a realização das convenções termina nesta quarta-feira (5/8), e os partidos intensificam as articulações para fechar alianças antes do registro das candidaturas.

Direita ainda busca candidato ao governo de MG

O principal impasse está no campo da direita, após o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera as principais pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas, perder convenções do partido e ficar de fora da corrida eleitoral.

A legenda afirmou que Cleitinho “perdeu o timing” para ser lançado candidato. Ele tentou resistir e se reuniu duas vezes com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, em uma tentativa de reverter o cenário, mas o jogo não virou.

Entre um encontro e outro, o senador chegou a gravar um vídeo anunciando que desistiria da disputa. Já nessa terça-feira (4/8), voltou atrás e buscou uma nova negociação com a direção nacional do partido, mas não recebeu sinalização positiva para retomar a candidatura.


Veja nomes oficializados para disputar o Palácio Tiradentes:

  • Mateus Simões (PSD), ainda sem vice definido;
  • Patrus Ananias (PT), ainda sem vice definido;
  • Alexandre Kalil (PDT), ainda sem vice definido;
  • Gabriel Azevedo (MDB), ainda sem vice definido;
  • Indira Xavier (UP), com Renato Amaral (UP) como vice;
  • Ben Mendes (Missão), com Cabo David Souza como vice;
  • Rafael Duda (PSTU), com Professora Diana de Cássia como vice;
  • Túlio Lopes (PCB), com Warlen Nunes (PCB) como vice.

Com o impasse, a expectativa passou a recair sobre o ex-secretário de Estado Marcelo Aro (PP). Inicialmente cotado para disputar uma vaga ao Senado na chapa do governador em exercício Mateus Simões (PSD), Aro rompeu com o grupo político ao decidir buscar a candidatura ao governo.

A mudança provocou forte desgaste entre antigos aliados. Tanto Simões quanto o ex-governador Romeu Zema (Novo) acusaram o ex-secretário de traição após ele abandonar o projeto inicial para encabeçar uma candidatura própria ao Executivo estadual.

Nos bastidores, a avaliação é de que Marcelo Aro deve ser confirmado como candidato ao governo até esta quarta-feira, último dia das convenções partidárias.

A mudança também altera os planos do PL em Minas. Até poucas semanas atrás, a preferência dos aliados do presidenciável Flávio Bolsonaro era que Cleitinho representasse a direita no estado. Com a saída do senador do cenário, Marcelo Aro passou a ser o nome mais próximo de assumir esse papel.

Vice-governador ainda é principal incógnita

Se a definição do candidato da direita ainda mobiliza as negociações, a escolha dos candidatos a vice-governador também permanece em aberto. Apenas Indira Xavier (UP), Ben Mendes (Missão), Rafael Duda (PSTU) e Túlio Lopes (PCB) já oficializaram seus companheiros de chapa.

Nos demais partidos, as conversas seguem até o encerramento das convenções. As vagas de vice costumam ser utilizadas como instrumento para ampliar alianças entre legendas e fortalecer os projetos eleitorais.

No grupo que articulava a candidatura de Cleitinho, o nome mais cotado para vice era o do ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão. Com a desistência do senador e a expectativa pela candidatura de Marcelo Aro, ele passou a ser considerado uma das possibilidades para compor a chapa do ex-secretário.

No PT, o nome ainda não foi confirmado oficialmente, mas a principal aposta é o empresário Josué Gomes (PSB), ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Filho do ex-vice-presidente José Alencar, Josué conta com a simpatia do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e é visto como o favorito nas negociações entre petistas e socialistas.

Senado também tem vagas em aberto

A disputa pelas duas vagas ao Senado em Minas também segue parcialmente indefinida.

Pelo PT, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos teve a candidatura oficializada após abrir mão da disputa pelo governo. Durante um período, ela foi considerada uma das principais opções do partido para concorrer ao Executivo estadual, mas defendeu a permanência na corrida ao Senado e acabou sendo escolhida para a vaga.

A segunda cadeira da chapa petista ainda depende das negociações com o PSB. Um dos nomes cotados é o do ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares, caso os dois partidos confirmem uma composição. O PSB, no entanto, também avalia lançar candidatura própria.

Pelo PSD, o senador Carlos Viana já foi oficializado candidato à reeleição. Inicialmente, a expectativa era que ele formasse uma dobradinha com Marcelo Aro, então cotado para disputar o Senado. Com a mudança de planos do ex-secretário, ganhou força a possibilidade de uma aliança entre PSD e PL para lançar o deputado federal Domingos Sávio à segunda vaga.

Entre os nomes que aparecem nas pesquisas de intenção de voto, o deputado federal Aécio Neves (PSDB) ainda não decidiu se disputará uma vaga no Senado. Apesar disso, interlocutores do tucano avaliam que a tendência é que ele não participe da eleição deste ano.

Também já foi oficializada a candidatura da ex-deputada federal Áurea Carolina (PSol).

No PSTU, Vanessa Portugal deixou de disputar o Senado para integrar a chapa majoritária. Com isso, Victoria Mello e Jordano Carvalho foram oficializados como candidatos da legenda ao Legislativo.

Outro nome que segue em discussão é o do presidente estadual do Republicanos, Euclydes Pettersen, que aparece entre os cotados para disputar uma das vagas, mas ainda aguarda definição do partido.

Palanques presidenciais dependem das últimas definições

As negociações em Minas também influenciam a formação dos palanques para a disputa presidencial. Pelo campo petista, Patrus Ananias será o representante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado, após ter o nome oficializado no início da semana.

Já o grupo do presidenciável Flávio Bolsonaro ainda aguarda a definição da candidatura da direita ao governo de Minas. Com a saída de Cleitinho do cenário, a expectativa é que Marcelo Aro assuma esse espaço, caso sua candidatura seja confirmada até o encerramento das convenções partidárias.