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Filha de ditador paraguaio contestou meio-irmão por herança no DF

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Filha de ditador paraguaio contestou meio-irmão por herança no DF

Envolvida na disputa judicial pela herança de Alfredo Stroessner, a filha do ex-ditador paraguaio apontou a eventual falta de legitimidade de Enrique Alfredo Fleitas, filho de uma amante do ditador paraguaio nos anos de 1970, na “batalha” pelos bens do pai.

À Justiça do DF, a filha de Stroessner defendeu que o prazo para reclamar a herança já prescreveu e e argumentou que Enrique não seria herdeiro reconhecido judicialmente.

Ao analisar o caso, o desembargador Renato Rodovalho Scussel afirmou que a Justiça brasileira é competente para processar o inventário de bens localizados no país, assim como a legitimidade do vínculo de Enrique com o ex-ditador.

” A jurisdição é exclusiva, independentemente da nacionalidade ou domicílio do falecido ou dos herdeiros […] A legitimidade do agravado está comprovada por documentação de filiação e exame de DNA. A ausência de sentença declaratória não impede o exercício do direito sucessório, sendo desnecessária para fins de inventário”, concluiu o magistrado.

O exame de DNA em questão foi realizado após a Justiça determinar a exumação do corpo de Stroessner para o teste genético, que confirmou a ligação sanguínea do ex-ditador com o filho gerado fora do casamento.

A dimensão do espólio de Stroessner ainda é desconhecida, mas a estimativa é de que a cifra pode passar de bilhões de reais. 

O patrimônio de Alfredo Stroessner foi dissipado ao redor do mundo, o que tem gerado trabalho árduo para localizar as posses, checar a disponibilidade e acionar a Justiça em cada um dos países onde, potencialmente, os bens estão situados.

Há expectativa de que parte dos bens esteja na Suíça, nos Estados Unidos e no Brasil, além do Paraguai, por óbvio.

Inclusive, em uma decisão recente, houve a determinação de pagamento de um tradutor que prestou serviços no processo para transmitir documentos à Justiça suíça.


Sobre o ex-ditador

  • Alfredo Stroessner comandou o Paraguai por quase 35 anos sob um dos regimes ditatoriais mais longos da América do Sul;
  • O ex-ditador governou o país latino-americano entre 1954 e 1989, após um golpe militar, em um período que ficou conhecido como “El Stronato”;
  • Ao longo de seu governo, milhares de pessoas desapareceram, foram mortas ou perseguidas;
  • As evidências foram localizadas em 1992, quando um ativista dos Direitos Humanos e vítima do Stronato encontrou documentos que foram chamados de “Arquivo do Terror”;
  • Em fevereiro 1989, Stroesnner foi deposto por um golpe militar liderado por Andrés Rodríguez, seu antigo aliado e consogro;
  • Expulso do Paraguai, recebeu asilo político no Brasil e passou a viver em Brasília.

Asilo na capital

Após ser deposto, Stroessener recebeu asilo político no Brasil. Na época, o presidente José Sarney seguiu diplomacia que regia as relações naquele momento e concedeu autorização para que o ditador paraguaio tivesse onde pousar.

O local onde ex-ditador ficou foi em Brasília (DF). Na capital,  Stroessener viveu por 17 anos no Lago Sul, inicialmente na QI 9 e depois na QL 12.

Às margens do Lago Paranoá o ditador paraguaio manteve vida discreta, longe do debate político, como se exige de exilado. Ele era frequentemente visto em igrejas da região e tomando sol no quintal da mansão em que morava.

Stroessner morreu aos 93 anos, em hospital particular de Brasília, pesando 45 quilos. Ele sofreu complicações após cirurgia e passou quase um mês internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) antes de morrer.

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