O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), mais uma vez, deixou o mercado no escuro. Fez isso ao não oferecer nenhuma indicação a respeito da eventual ocorrência de novos cortes da taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do órgão, em setembro.
É isso o que mostra o comunicado divulgado nesta quarta-feira (5/8) pelo BC, no qual o Copom fez uma análise da conjuntura econômica, tanto nacional como global, e justificou o corte de 0,25 ponto percentual (a quarta redução seguida) na Selic. Agora, a taxa foi fixada em 14,00% ao ano (antes disso, estava em 14,25%).
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A decisão de um corte de 0,25 ponto percentual da Selic já era amplamente esperada pelos agentes econômicos. A grande dúvida era se haveria ou não sinalização sobre os próximos passos da política monetária, o que não aconteceu.
No documento, o Copom afirmou apenas que o “cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária”. Com isso, segue o texto, o “Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Cenário mais positivo
O Copom, no entanto, apontou melhoras no cenário doméstico. Disse o órgão do BC: “(…) o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião [em junho] sugere uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido”.
Além disso, “nas divulgações mais recentes”, acrescenta a nota, “a inflação cheia desacelerou”, embora ainda esteja acima do limite superior da meta (4,5% ao ano).
Projeções de inflação
O Comitê observou que as expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus (o levantamento semanal feito pelo BC com economistas do mercado) permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,0% e 4,2%, respectivamente. Em junho, na última reunião do órgão, esses números eram 5,30% e 4,10% (note-se que, para 2027, portanto, a previsão era menor).
A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2%. Ou seja, bem próximo do centro da meta de 3%. No comunicado da última reunião, quando o horizonte relevante era o quarto trimestre de 2027, esse valor foi de 3,7%.
O horizonte relevante é o momento em que a alteração da Selic exerce efeito pleno sobre a economia e a inflação.
Reuniões do Copom
O Copom reúne-se por dois dias a cada 45 dias. No primeiro dia, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas da economia no Brasil e no mundo, além do comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do comitê, formado pela diretoria do BC, definem a taxa Selic.
Neste ano, estão previstas mais três reuniões do Copom. Elas vão ocorrer entre 15 e 16 de setembro, entre 3 e 4 de novembro e entre 8 e 9 de dezembro. De acordo com o último Boletim Focus, a pesquisa semanal realizada pelo BC com economistas do mercado, a Selic deve terminar 2026 em 13,75%. Para atingir esse valor, a taxa teria de ser cortada mais uma vez em 0,25 ponto percentual.
Taxa Selic
A Selic (sigla de Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é o principal instrumento do Banco Central para orientar o custo do crédito e controlar a inflação no país. Quando a taxa sobe, o consumo e a atividade econômica tendem a diminuir, o que contém a elevação dos preços de produtos e serviços.

