O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil respondeu a críticas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre a greve iniciada pela categoria nesta terça-feira (4/8) que paralisou as atividades em três linhas do sistema ferroviário paulista.
Por meio de uma nota à imprensa, o Sindicato afirmou que a greve não tem motivação político-partidária, e que o movimento foi aprovado por meio da realização de uma assembleia da categoria.







Estação Brás da CPTM
Gabrielle Gonçalves/MetrópolesEstação Brás da CPTM
Gabrielle Gonçalves/MetrópolesTrânsito em São Paulo
William Cardoso/MetrópolesTrânsito em São Paulo
William Cardoso/MetrópolesTrânsito em São Paulo
William Cardoso/MetrópolesTrânsito em São Paulo
Rodrigo Freitas/MetrópolesTrânsito em São Paulo
Rodrigo Freitas/MetrópolesTrânsito em São Paulo
Rodrigo Freitas/MetrópolesTrânsito em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles“O movimento nasceu da ausência de uma garantia concreta de manutenção dos empregos de milhares de trabalhadores que dedicaram décadas à construção de um dos maiores sistemas ferroviários do país”, diz o comunicado.
O Sindicato também esclareceu que, apesar de ser contrário à privatização das linhas paralisadas (11-Coral, 12-Safira e 13-Jade), “em nenhum momento se colocou contra investimentos, modernização ou melhorias”, mas que não podem aceitar que “esse processo ocorra sem assegurar o futuro de quem construiu a história da CPTM”.
“É importante esclarecer que, apesar das reuniões realizadas com o Governo, não foi apresentada uma garantia formal e efetiva de que nenhum Ferroviário perderá seu emprego em razão da concessão [à iniciativa privada], Essa sempre foi a principal reivindicação da categoria e continua sendo”, afirmam os sindicalistas.
Tarcísio chamou greve de “instrumentalização política”
Na manhã desta terça-feira, o governador de São Paulo criticou a paralisação das três linhas pelos ferroviários. Em nota publicada nas redes sociais, Tarcísio afirmou que a paralisação “é resultado unicamente de instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem”.
“A aposta na baderna e na paralisia dos serviços não vai intimidar o governo, que esteve e seguirá aberto ao diálogo. Uma concessão é feita para melhorar os serviços, eliminar problemas de via permanente, trazer trens novos, garantir estações mais acessíveis, eliminar falhas na via aérea de alimentação e nas subestações, estender as linhas até Bonsucesso ou até César de Souza e dar mais confiança ao sistema”, acrescentou o governador.
“Negociações aconteceram, garantias de manutenção de emprego foram dadas e descartadas pelo sindicato, que não só ignorou a proposta do governo, como também, mais uma vez, ignora a decisão da Justiça do Trabalho”, completou Tarcísio.
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Nunes também fez críticas
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) também falou sobre a greve dos ferroviários, afirmando que a paralisação é uma “mensagem política partidária”, que estaria sendo realizada “por conta da questão da eleição do governador Tarcísio de Freitas e do candidato deles, o Fernando Haddad (PT)”, explicou.
“Tenho a impressão que o objetivo deles eles já alcançaram. Acho que chegou na hora já de parar de prejudicar a população. A gente tem percebido, eu conversei com muitas pessoas já hoje, as pessoas perceberam que é uma ação política e, portanto, isso na verdade vai ter um efeito contrário no objetivo deles”, acrescentou o prefeito.
Greve
Por conta da greve dos ferroviários, o governo de São Paulo acionou um plano de contingência para reduzir os impactos da paralisação, que atinge as Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
Por volta das 17h, a Linha 11-Coral estava com operação parcial entre as estações Barra Funda e Guaianases. Já a Linha 12-Safira funcionava em operação parcial entre as estações Brás e Engenheiro Goulart. A Linha 13-Jade, ao final da tarde, passou a funcionar entre as estações Aeroporto Guarulhos e Engenheiro Goulart.
Por conta dos impactos, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio de veículos nesta terça e, segundo a CET, o trânsito já estava acima da média às 6h, principalmente na região da zona leste da capital paulista, que é a mais atingida pela greve.
Segundo o governo de São Paulo, 128 ônibus gratuitos do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) foram acionados para atender os passageiros nas estações Estudantes e Corinthians-Itaquera, da Linha 11, São Miguel Paulista e Calmon Viana, da Linha 12, e Aeroporto de Guarulhos e Engenheiro Goulart, da Linha 13.
Já o Metrô de São Paulo antecipou a abertura das estações das Linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata para as 4h. Na Linha 3, foram adicionadas mais composições à circulação e trens vazios podem ser enviados às estações que apresentarem maior lotação ao longo do dia.
A CPTM informa que a greve não atinge as demais linhas de trem, como a 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda, todas concedidas à iniciativa privada. A Linha 10-Turquesa, operada pela companhia, também não foi afetada pela paralisação.
O que diz a CPTM
Em nota, a CPTM disse lamentar a decisão do sindicato, “mesmo após a apresentação de compromissos concretos e da disposição expressa da gestão estadual para avançar nas negociações”. “Diante disso, a CPTM recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho, que determinou a operação de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, o TRT fixou multa diária de R$ 400 mil ao sindicato”, informou.

