Presidente da Federação de Futebol da Jordânia, o príncipe Ali Bin Al Hussein acusou a Fifa de chantagem. O dirigente afirmou que, ao solicitar ajuda em relação à participação da equipe na Copa do Mundo, escutou de uma pessoa ligada à entidade máxima do futebol que “haveria um grande caminho” se apoiasse Gianni Infantino.




Gianni Infantino, presidente da Fifa
Catherine Ivill - AMA/Getty ImagesGianni Infantino, presidente da Fifa
Noushad Thekkayil/NurPhoto via Getty ImagesAl Hussein reclamou também da omissão da Fifa em relação a impostos sobre premiação da equipe durante a Copa do Mundo e da falta de vistos para torcedores jordanianos. Além disso, o presidente da federação afirmou não apoiar o presidente da Fifa em uma possível reeleição.
“A Fifa tem se recusado a nos ajudar em qualquer um desses ou outros assuntos. Até que me foi comunicado verbalmente durante a Copa do Mundo que, se eu apoiasse Infantino, haveria um grande caminho para ajudar nossa federação”, disse Al Hussein.
“Nós temos orgulho de, na Jordânia, defender valores éticos. Não o apoiamos antes e certamente não o faremos agora. Mas toda a situação equivale a chantagem e nos recusamos a ceder a isso“, declarou o dirigente jordaniano.
There is no shortage of issues regarding FIFA. Let me start by clarifying what some of these are from an FA perspective, in particular that of Jordan going into a World Cup for the first time.
We are a small country with a minimal budget for our FA and had to deal with enormous…— Ali Al Hussein (@AliBinAlHussein) August 4, 2026
Procurada, a Fifa não respondeu sobre as acusações.
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Crise na Fifa
Gianni Infantino está sob pressão. Após federações europeias retirarem o apoio à reeleição do suíço ao cargo de presidente da Fifa, integrantes da Concacaf também ameaçaram abandonar o dirigente.
De acordo com o jornal britânico The Guardian, uma reunião emergencial foi realizada pela Concacaf para discutir o tema e diversas federações teriam manifestado a intenção de retirar o apoio ao presidente da Fifa.
A insatisfação das federações nacionais acontece após Infantino dar como encerrado o projeto de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária que seria responsável pelos direitos comerciais de competições. O objetivo era que 20% desta empresa fosse vendida a investidores externos. O projeto mirava uma arrecadação recorde de até US$ 4,2 bilhões (R$ 22,8 bilhões).
Além da ameaça de países membros da Concacaf, a Federação Inglesa de Futebol (FA) e a Associação de Futebol do País de Gales (FAW) retiraram o apoio ao dirigente.
A forte resistência de federações nacionais e confederações continentais ao projeto de Infantino provocou uma crise política sem precedentes na entidade desde que o dirigente suíço assumiu o cargo em 2016.
Confira a declaração do presidente da Federação da Jordânia:
“Não há poucos problemas em relação à Fifa. Deixe-me começar esclarecendo alguns pontos de vista de uma federação nacional, em particular o da Jordânia, indo para uma Copa do Mundo pela primeira vez.
Somos um pequeno país com um orçamento mínimo para nossa federação e tivemos que lidar com obstáculos enormes. Primeiro, levar nossos torcedores aos Estados Unidos: nem todos receberam vistos, mesmo tendo ingressos – que também sabemos que foram vendidos a preços exorbitantes.
Em segundo lugar, estamos sendo taxados pelo governo dos EUA, através da Fifa, pela nossa participação. Dinheiro que deveria ir para jogadores e funcionários. Não foi o caso daqueles que jogaram e ficaram instalados no Canadá e no México. Mas nós estávamos nos EUA, então agora enfrentamos esses custos enormes em impostos por termos participado.
Em terceiro lugar, estamos esperando o dinheiro de premiação para nossos jogadores desde dezembro pela Copa Árabe no Catar, que é um evento da Fifa. O dinheiro que nossa equipe deveria receber por ter chegado à final ainda não foi enviado, enquanto, ao mesmo tempo, a Fifa se gaba de quantos bilhões eles têm em reserva.
Fica claro que o problema realmente está na liderança. Por meses, a Fifa tem se recusado a nos ajudar em qualquer um desses ou outros assuntos. Até que me foi comunicado verbalmente durante a Copa do Mundo que, se eu apoiasse Infantino, haveria um grande caminho para ajudar nossa federação.
Nós temos orgulho de, na Jordânia, defender valores éticos. Não o apoiamos antes e certamente não o faremos agora. Mas toda a situação equivale a chantagem e nos recusamos a ceder a isso.”

