O grupo investigado na Operação Rede Interrompida já havia avançado na escolha dos prédios públicos que pretendia atingir em Brasília. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), os investigados chegaram a identificar ministérios, relacionando cada edifício à respectiva pasta e classificando quais seriam os chamados “alvos primários”.
A informação foi revelada nesta terça-feira (4/8) pelo chefe do Departamento de Inteligência da PCDF, delegado Maurício Coelho, durante entrevista coletiva sobre a operação.
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“Eles marcaram quais ministérios eram de quais pastas, sinalizando o que chamaram de alvos primários. Eles estavam definindo quais seriam os primeiros alvos. Eles tinham a planta baixa”, afirmou.
Segundo a PCDF, os investigados discutiam ações que poderiam ocorrer em outubro deste ano. Nas conversas analisadas pelos investigadores também aparecem debates sobre recrutamento de participantes em diferentes estados, definição de datas e escolha dos edifícios públicos.
Apesar disso, a corporação ressalta que ainda não é possível afirmar exatamente quais ações seriam executadas, já que essa conclusão dependerá da perícia no material apreendido durante a operação.
“Os investigados já tinham discutido recrutamento de mais pessoas, possibilidade de datas e prédios, mas somente a análise do material apreendido hoje dirá o que eles fariam de fato”, explicou Maurício Coelho.
De acordo com a investigação, o grupo compartilhava mapas, plantas arquitetônicas, modelos tridimensionais de prédios públicos e manuais para fabricação de artefatos explosivos. As informações utilizadas pelos suspeitos eram públicas.
“Recentemente, alguns dos prédios passaram por reformas e todas essas informações estão públicas, o que acabou gerando vulnerabilidades. Durante a análise do material apreendido vamos verificar isso e, se necessário, essas informações poderão até ser restringidas”, afirmou o delegado.
Segundo Maurício Coelho, Brasília era o principal foco do grupo, embora nenhum dos oito investigados more no Distrito Federal.
“Brasília era o que chamamos de centro de gravidade dos atos a serem praticados. Apesar de todos os alvos serem de fora do Distrito Federal, era aqui que eles planejavam as ações. Compartilhavam documentos mostrando como fabricar explosivos, mapas e plantas baixas de edifícios públicos para escolher os alvos primários”, disse.
As investigações apontam que os integrantes se conheceram por meio de grupos no Telegram. Conforme a Polícia Civil, os investigados mantinham discursos extremistas e misóginos, mas não demonstravam alinhamento com espectros políticos específicos.
“Eles são contra o sistema político. Não se intitulam de esquerda nem de direita”, afirmou Maurício Coelho.
Ainda segundo o delegado, em uma das conversas analisadas um dos participantes escreveu que “mulheres não podem ser delegadas, juízas ou promotoras porque só fazem besteira”. A Polícia Civil informou que nenhuma autoridade foi citada nominalmente.
Os investigados têm entre 19 e 31 anos, sendo a maioria na faixa dos 19 aos 25 anos. Segundo a corporação, eles possuem perfis bastante diversos. Há pessoas empregadas na iniciativa privada, desempregados e até um seminarista vinculado a um mosteiro em Pernambuco, onde foram cumpridas buscas nesta terça-feira.
A operação também cumpriu mandados em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Até o momento, os policiais apreenderam celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos. Nenhuma arma ou artefato explosivo foi encontrado.
Neste momento, o inquérito apura, em tese, os crimes de associação criminosa, incitação ao crime, apologia ao crime ou criminoso e delitos previstos na legislação antirracismo. A PCDF ressaltou que, até agora, os fatos não foram enquadrados na Lei de Terrorismo.

