A fuga dos suspeitos de participar do atentado contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), não teria terminado quando a motocicleta usada no crime desapareceu das imagens captadas por câmeras de monitoramento.
A investigação aponta uma logística mais ampla, com divisão de tarefas, veículos de apoio, troca de automóveis e uso de carros de aplicativo para reduzir rastros e dispersar os envolvidos depois do ataque, ocorrido em 27 de junho, em São Caetano do Sul, no ABC.
Pimentel aguardava a abertura de um semáforo na Avenida Goiás quando foi alcançado por dois homens em uma motocicleta. O garupa atirou à queima-roupa contra a cabeça do oficial, enquanto o piloto acelerou e deixou o local. O policial foi socorrido em estado grave.







Arte/Alfredo Henrique/Metrópoles
Ronickson Pimentel, tenente da Rota baleado na cabeça, e a esposa, Cintia Pimentel
Reprodução/ InstagramRonickson Pimentel dos Santos, tenente da Rota baleado. Irmão de Eloá Pimentel
Polícia Militar/ReproduçãoVeículos com funções diferentes
Como o Metrópoles já mostrou, a moto dos executores não circulava sozinha. Um Renault Logan acompanhou o veículo até o momento em que ele foi abandonado, já na capital paulista.
A apuração também identificou um Fiat Palio e um Chevrolet Astra ligados a Marcos Vinícius Dias Machado e Carlos Roberto Ferreira, presos e apontados como participantes da movimentação coordenada dos veículos. Para a Justiça, há indícios de uma ação organizada, com divisão de tarefas e medidas destinadas a esconder provas.
É nessa segunda etapa que surgem os carros de aplicativo. Depois de deixarem veículos em pontos distintos, suspeitos teriam recorrido a corridas chamadas por plataformas digitais para continuar os deslocamentos sem permanecer associados às placas usadas na operação.
O recurso permitiu alternar rapidamente entre meios de transporte, entre eles motos para aproximação e execução, automóveis particulares para apoio e retirada e, por fim, veículos de aplicativo para diluir a fuga no fluxo cotidiano da cidade.
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Moto limpa e abandonada
A motocicleta usada no atentado havia sido roubada meses antes. Após o crime, o veículo foi abandonado, e Luiz Henrique de Oliveira Nascimento acabou preso sob suspeita de ter limpado as possíveis impressões digitais existentes no veículo.
Segundo a investigação, Luis Altino da Silva, o Chuck, teria contratado o xará, Luiz Henrique, para fazer a moto desaparecer. O pagamento combinado seria de R$ 500, mas apenas R$ 100 teriam sido entregues. Chuck apresentou-se posteriormente ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e afirmou que temia ser morto.
Rastros apagados e peças silenciadas
A tentativa de apagar os caminhos percorridos pelo grupo não se restringiu aos veículos. Como revelou o Metrópoles, o celular de Pimentel não consta entre os objetos apresentados pela Polícia Militar à Polícia Civil após o atentado.
Questionado sobre o paradeiro do aparelho, o Centro de Comunicação Social da PM proibiu o comando da Rota de responder à reportagem.
Outra peça considerada central para esclarecer a dinâmica do crime também deixou de ser ouvida. Marcelo de Jesus Dias, o Nego Zum, apontado como piloto da moto usada no ataque, morreu em uma suposta troca de tiros com policiais da própria Rota.
A Polícia Civil só foi informada horas depois. A morte do suspeito, segundo fontes da investigação, eliminou uma possível ligação entre os executores, os responsáveis pelo apoio logístico e quem teria ordenado o atentado.
Questionada sobre a situação do celular do tenente, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) não se manifestou. O espaço segue aberto.

