O Brasil não deve atender ao pedido feito pelo governo paraguaio para devolver peças e troféus sobre a Guerra do Paraguai que estão no país. A solicitação foi feita em meio à crise diplomática após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o conflito.
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O governo do Paraguai encaminhou uma nota de repúdio ao Brasil depois que Lula disse que “o Paraguai decidiu invadir o Brasil” ao fazer referência à Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai.
Em nota, a chancelaria paraguaia ressaltou ainda que as declarações “distorcem a história” e solicitou que o governo brasileiro restitua ao Paraguai peças da guerra que estão no Brasil.
“Ressalta-se também a conveniência de avançar com ações que contribuam para o fechamento definitivo das feridas desse conflito, propondo a restituição do Canhão Presidente López, do Canhão Cristiano e dos demais troféus de guerra, bem como a entrega de cópias dos documentos históricos sobre a Guerra da Tríplice Aliança que se encontram nos arquivos da República Federativa do Brasil, como um gesto de reparação apreciado para com o Paraguai“, diz nota.
Ao Metrópoles, contudo, fontes do governo brasileiro afirmam que a devolução dessas peças não está em discussão. Essa é uma reivindicação antiga de governos paraguaios, mas a avaliação é de que as peças fazem parte do patrimônio histórico do Brasil.
O que foi a Guerra da Tríplice Aliança
- A Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai, foi o maior conflito armado da história da América do Sul.
- Seu estopim foi a intervenção militar do Império do Brasil na guerra civil uruguaia, movimento interpretado pelo governo paraguaio de Francisco Solano López como uma ameaça ao equilíbrio de poder na Bacia do Prata.
- Em resposta, o Paraguai declarou guerra ao Brasil e, posteriormente, entrou em conflito também com Argentina e Uruguai, que formaram a Tríplice Aliança.
- O conflito terminou em 1870, após cinco anos de combates, deixando o Paraguai devastado territorialmente, economicamente e demograficamente.
- Estimativas paraguaias apontam que cerca de 50% da população do país morreu durante a guerra, tornando o episódio um dos maiores traumas da identidade nacional.
Crise entre Brasil e Paraguai
Brasil e Paraguai vivem uma crise diplomática desde que o governo paraguaio decidiu convocar o embaixador do Brasil em Assunção para prestar esclarecimentos sobre declarações de Lula. Durante um evento em São Paulo na última sexta-feira (24/7), o petista afirmou que o “Paraguai resolveu invadir o Brasil” e, assim, desencadeado a considerada maior guerra da América do Sul.
A afirmação não foi bem recebida pelo governo paraguaio que, em resposta, convocou José Antonio Marcondes prestar esclarecimentos na sede da chancelaria paraguaia. Na diplomacia, a convocação de um embaixador é considerada um ato de reprimenda, com o objetivo de transmitir insatisfação ao outro país.
A reunião com o representante brasileiro ocorreu nesta sexta-feira, ocasião em que também foi entregue uma nota de repúdio endereçada ao governo brasileiro. “Rejeita-as integralmente, pois apresentam uma visão distorcida de eventos históricos de singular importância para o povo paraguaio”, diz trecho do documento (leia a íntegra da nota).
A crise com o país, contudo, é minimizada pelo corpo diplomático brasileiro. O caso é tratado como “ruído conjuntural“, de teor temporário, tendo em vista que os dois países, inclusive os presidentes, têm uma boa relação bilateral.

