A auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) que identificou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estruturaram uma rede de fraudes digitais para extrair dinheiro diretamente do bolso dos brasileiros revelou também como as facções agiam para enganar as vítimas.
Os grupos utilizaram recursos de Inteligência Artificial (IA) para manipular a imagem e a voz de lideranças políticas em anúncios sobre benefícios públicos, que prometiam, ainda, “limpar o nome” dos cidadãos, ao resolver situações financeiras de inadimplências. As ações faziam com que as vítimas acreditassem nas informações e compartilhassem dados pessoais e pagassem taxas via Pix.
Ao serem atraídas por falsas ofertas de renegociação de dívidas ou de passagens aéreas acessíveis, as vítimas não apenas entregavam seus dados pessoais a redes criminosas especializadas em clonagem de cartões e golpes pelo WhatsApp, como também transferiam suas economias por meio de Pix para contas bancárias controladas pelos fraudadores.
As investigações apontaram que o público-alvo dos golpes era formado principalmente por aposentados e famílias de baixa renda ou com orçamento limitado. Os auditores identificaram e analisaram 1.770 anúncios fraudulentos.
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No caso do Desenrola Brasil, os golpes começaram a circular pelo menos desde 7 de julho de 2024. Os anúncios prometiam “limpar o nome” dos consumidores e solucionar problemas financeiros, levando as vítimas a fornecer informações pessoais e realizar pagamentos de supostas taxas via Pix.
Já no Voa Brasil, as fraudes tiveram início em 25 de julho de 2024, pouco depois do lançamento oficial do programa. Os criminosos passaram a direcionar aposentados do INSS para falsas consultas de elegibilidade e para a compra de passagens aéreas inexistentes. O esquema também incluía anúncios fraudulentos sobre valores a receber e supostos serviços oferecidos pelo Banco Central.
Anúncios fraudados
Segundo o TCU, entre os dias 10 e 21 de janeiro de 2025, os auditores identificaram os anúncios fraudulentos, sendo que 83,2% deles eram impulsionados por pagamento e divulgados em redes sociais. As propagandas utilizavam logotipos oficiais e reproduziam elementos visuais de instituições públicas, como materiais da Caixa Econômica Federal, para transmitir uma falsa sensação de legitimidade.
Outro recurso utilizado pelos criminosos foi a Inteligência Artificial para manipular imagens e vozes de autoridades e lideranças políticas, simulando anúncios reais sobre benefícios governamentais.
As peças eram acompanhadas de imagens apelativas, como pessoas em longas filas de bancos, com o objetivo de induzir os cidadãos a buscar supostas facilidades por meio de canais digitais fraudulentos.

