A substituição de Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer no comando da comunicação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) foi resultado do acúmulo de insatisfações dentro do partido, segundo interlocutores.
A troca, oficializada nesta quinta-feira (30/7), ocorreu após semanas de pressão de dirigentes que defendiam uma mudança na estratégia da campanha diante da sequência de crises políticas e da dificuldade do senador em ganhar tração nas pesquisas de intenção de voto.
As críticas iam além da condução da comunicação. Integrantes do PL reclamavam da transferência da estrutura de marketing para São Paulo, o que reduziu a interlocução com a direção nacional do partido e com a ala política da campanha, sediadas em Brasília.
Também havia incômodo com a resistência da equipe em incorporar antigos colaboradores da família Bolsonaro ao núcleo de comunicação.
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Nos bastidores, dirigentes avaliavam que a campanha demorava a reagir aos desgastes enfrentados pela candidatura, especialmente aos desdobramentos da relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, além da crise pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Parlamentares também vinham se queixando sobre o que chamam de um “encastelamento” da dupla, que era apontada como resistente.
O cenário abriu caminho para a chegada do publicitário Duda Lima, nome defendido por parte da direção do partido havia semanas. Responsável pela campanha à reeleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, Lima é próximo do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
No início do ano, participou de reuniões com dirigentes da legenda e com o próprio Flávio para discutir a estratégia de comunicação, mas havia sinalizado que não participaria de campanhas eleitorais em 2026.
Além da campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2022, Duda Lima atuou na disputa de Celso Russomanno pela Prefeitura de São Paulo, em 2016. Em 2024, integrou a campanha de reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB), na capital paulista, quando foi agredido por um integrante da equipe de Pablo Marçal.
Pressão por mudanças
Como mostrou o Metrópoles, semanas antes da convenção que oficializou Flávio como candidato ao Planalto, integrantes da campanha já defendiam uma revisão da estratégia antes do início oficial da disputa eleitoral.
A mudança no comando da comunicação ocorre em meio ao desempenho abaixo do esperado nas pesquisas e às críticas internas sobre a condução da campanha. Parlamentares e integrantes da equipe relatavam insatisfação com a falta de uma estratégia unificada e apontavam falhas em materiais produzidos durante a pré-campanha.
Em maio, após a divulgação de áudios e mensagens que mostram Flávio Bolsonaro pedindo recursos ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a equipe de comunicação passou por uma reformulação.
A crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também é apontada por aliados como um dos fatores que desgastaram a candidatura.
Até então, a campanha sustentava que o episódio não havia produzido impactos eleitorais, avaliação que orientou a postura de Flávio, que chegou a afirmar, em uma ocasião, que a madrasta estava “desinformada”. Para integrantes da equipe do senador, a dificuldade em dimensionar os efeitos do episódio expôs falhas na estratégia de comunicação.

