A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSB), tenta emplacar como seu candidato ao Senado um investigado no esquema de desvio de emendas parlamentares. O ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) foi alvo da Operação Vassalos, deflagrada pela Polícia Federal com autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A articulação de Raquel Lyra pode provocar uma nova baixa entre os aliados de sua candidatura. A coluna apurou que o PP não aceitará apoiar uma chapa que tenha Miguel Coelho como candidato ao Senado, por considerar que isso significaria assumir o desgaste decorrente da investigação sobre o ex-prefeito. Como consequência, a federação União Brasil-PP pode migrar para a candidatura de João Campos (PSB), principal adversário da governadora. O outro candidato ao Senado apoiado por Raquel é o deputado Túlio Gadelha (PSD). Neste ano, o eleitor irá escolher dois senadores.
Em postagem nas redes sociais, o ex-prefeito expôs as conversas com a governadora.
“Eu já vou me apresentar, no domingo, como candidato dela com Túlio”, disse o ex-prefeito em entrevista ao dantasbarreto.com.
União Brasil e PP formaram uma federação para as eleições deste ano. Na prática, isso significa que os dois partidos precisam concordar com as candidaturas para formalizar o apoio.
Os presidentes nacionais das siglas, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, dividiram entre si as decisões nos estados. Em Pernambuco, a condução das negociações cabe ao PP local. Em caso de impasse, a decisão final será de Rueda e Ciro. Segundo apurou a coluna, nenhum dos dois pretende comprar essa disputa por causa da eleição em Pernambuco. Ou seja, se o nome de Miguel for imposto pela governadora, a federação romperá com ela.
Raquel Lyra já perdeu o apoio do PRD e Solidariedade que migraram para a chapa de João Campos, candidato de Lula ao governo de Pernambuco. O partido de Raquel lançou Ronaldo Caiado ao Planalto.
O esquema das emendas
Miguel Coelho é um dos investigados pela Polícia Federal no inquérito que apura um suposto esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares e fraudes em licitações de obras de pavimentação em Petrolina. A investigação teve origem na Operação Vassalos, autorizada pelo ministro Flávio Dino.
Também são investigados: Fernando Bezerra Coelho, pai de Miguel; Fernando Coelho Filho, irmão de Miguel e outros agentes públicos e empresários ligados aos contratos investigados.
O ex-prefeito tem afirmado que a operação tem motivação política e sustentou que as contas de sua gestão foram aprovadas pelos órgãos de controle. Também disse que parte dos fatos investigados já teria sido arquivada pelo STF.

