O governo federal anunciou nesta quarta-feira (29/7) um plano de preparação para enfrentar possíveis impactos do fenômeno climático El Niño. Segundo o Palácio do Planalto, a previsão é investir cerca de R$ 1,3 bilhão em ações de prevenção e resposta a eventos extremos.
O anúncio ocorreu em uma reunião ministerial, no Planalto. Durante o encontro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que “nunca estivemos tão preparados para enfrentar uma possível adversidade que se apresenta pela natureza”.
“Eu sinceramente não acredito que algum outro país tenha se manifestado com tanta preciosidade de preocupação para enfrentar o El Niño. Se ele vai acontecer de forma grave, nós estamos preparados. Se ele não acontecer, valeu a intenção de se preparar”, declarou.
Os recursos serão destinados a medidas nas áreas de segurança alimentar, saúde, monitoramento hidrológico, fiscalização ambiental e prevenção e combate a incêndios florestais. As ações serão coordenadas por uma sala de situação criada pela Casa Civil.
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Do total previsto, R$ 1 bilhão será destinado a ações de abastecimento de alimentos, segurança alimentar, saúde e monitoramento hidrológico.
A maior parte desse montante, R$ 850 milhões, será usada para a compra de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz, com o objetivo de recompor os estoques públicos. Também estão previstas a aquisição e distribuição de 350 mil cestas de alimentos para populações vulneráveis e o reforço do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
O plano ainda prevê recursos para ampliar a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) e intensificar o monitoramento do nível dos rios.
Outros R$ 337 milhões serão destinados ao reforço da fiscalização ambiental e das ações de prevenção e combate a incêndios florestais.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, o que altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.
De acordo com o governo federal, no Brasil o fenômeno pode provocar estiagens mais intensas nas regiões Norte, Centro-Oeste e em parte do Sudeste, com ondas de calor, aumento do risco de incêndios florestais e redução do nível dos rios. Na Região Sul, por outro lado, há possibilidade de chuvas intensas, enchentes e deslizamentos de terra.
Estratégia
De acordo com o Planalto, a estratégia de enfrentamento aos incêndios prevê atuação prioritária no Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Tocantins, onde serão instalados postos de comando. A operação contará com aeronaves, helicópteros, veículos especializados e reforço das equipes.
Na área da saúde, o plano prevê a criação de oito centros de informação distribuídos por todas as regiões do país para monitorar os impactos epidemiológicos de ondas de calor, secas, incêndios, chuvas intensas e inundações.
“A Força Nacional do SUS contará com nove bases regionais para ampliar a capacidade de resposta em situações de emergência”, informou.
Segundo o Planalto, o planejamento foi elaborado diante da possibilidade de eventos climáticos severos nos próximos meses, com base em monitoramentos e informações meteorológicas e hidrológicas produzidas por órgãos técnicos federais.
“Essas informações subsidiam a identificação de áreas com maior exposição a riscos e a definição de medidas de preparação e resposta, em articulação com estados e municípios”, disse o governo.

