O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB) aprovou, em assembleia na última sexta-feira (24/7), um indicativo de greve, prevista para o próximo dia 4 de agosto, em resposta às falhas apresentadas pelas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, durante os primeiros dias de concessão à Trivia Trens. O governo de São Paulo tem até sexta-feira (31/7) para negociar com a categoria, caso contrário, os ferroviários poderão paralisar as atividades na próxima semana.







Passageiros andam nos trilhos após falha que interrompeu operação nas linhas 11, 12 e 13 de trens
Reprodução/TV GloboPassageiros andam nos trilhos após falha que interrompeu operação nas linhas 11, 12 e 13 de trens
Reprodução/TV GloboPassageiros andam nos trilhos após falha que interrompeu operação nas linhas 11, 12 e 13 de tren
Reprodução/TV GloboFalta de energia afeta operação das linhas 11, 12 e 13 de trem; na foto, pessoas caminham nos trilhos na estação Tatuapé
Reprodução/TV GloboFalta de energia afeta operação das linhas 11, 12 e 13 de trem; na foto, pessoas caminham nos trilhos na estação Tatuapé
Reprodução/TV GloboFalta de energia afeta operação das linhas 11, 12 e 13 de trem; na foto, pessoas caminham nos trilhos na estação Tatuapé
Reprodução/TV GloboOs trabalhadores pedem a reestatização das linhas concedidas à Trivia Trens, a garantia de todos os empregos na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a aprovação do Projeto de Lei (PL) 730/2025 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), com apoio do governo, que prevê a absorção dos funcionários da CPTM por órgãos da administração pública estadual após concessões.
O sindicato afirma que, caso o governo não se manifeste ou se recuse a negociar, uma nova assembleia será realizada no dia 3 de agosto, para decidir pela greve por tempo indeterminado a partir da meia-noite do dia seguinte.
Falhas nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade
Na madrugada da última quinta (23/7), a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, do sistema ferroviário de São Paulo, foi interrompida devido a uma falha provocada por ocorrência de fogo em um trem. Os passageiros precisaram desembarcar e caminhar sobre os trilhos na região da estação Tatuapé, no meio da escuridão.
O serviço nas três linhas, além do Expresso Aeroporto, havia sido assumido pela concessionária Trivia Trens dois dias antes. Desde então, ao menos seis falhas no serviço foram registradas.
Os problemas começaram na inauguração, em duas estações que, anteriormente, eram administradas pela CPTM, empresa estatal. No dia 22, a estação Brás estava com funcionamento reduzido e ficou mais de 20 minutos sem trem. Em consequência, houve superlotação. A Barra Funda também teve funcionamento reduzido, tendo um dos trens em operação esvaziado, o que gerou filas de espera maiores do que o normal.
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Mais tarde, no mesmo dia, a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a CPTM retomasse, por até 90 dias, a operação da 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, e atuasse em conjunto com a Trivia Trens.
Em nota enviada ao Metrópoles, na ocasião, a concessionária pediu desculpas pelos transtornos provocados aos passageiros e afirmou sempre ter cumprido todas as suas obrigações contratuais “de forma estruturada, transparente e cooperativa”. “A concessionária reafirma seu compromisso em investigar profundamente as causas técnicas que levaram às ocorrências e impactaram tantas pessoas nos seus deslocamentos”, disse.
Governador diz que Trivia pode perder concessão
Após os incidentes nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que não irá hesitar em romper o contrato com a Trivia Trens, caso a concessionária não cumpra o previsto em contrato.
“Se a empresa não conseguir cumprir aquilo que está previsto no contrato, ela vai ter sanções e a gente também não vai hesitar em algum momento de tirar a empresa do contrato e aplicar uma caducidade”, afirmou o governador de São Paulo, após participar do 14º Encontro de Produtores Rurais, em Ourinhos (SP), na semana passada.
Tarcísio também chamou de “inaceitável” o incêndio da última quinta (23/7) e disse que irá investigar o que teria causado as falhas dos últimos dias. Por outro lado, afirmou que os entraves não surgiram apenas depois de a Trivia Trens assumir a operação, mas sim são resultado da falta de investimentos.
“Não é um problema que começou há três dias, é um problema de muito tempo. Não era uma maravilha de linha até ontem ou anteontem e passou a ser uma linha muito ruim a partir de hoje”, disse.
Alvo de críticas
Principal bandeira de Tarcísio de Freitas, a concessão de serviços públicos à iniciativa privada tem se tornado uma verdadeira “pedra no sapato” do governador, às vésperas do lançamento da candidatura à reeleição. A atuação de empresas privadas em São Paulo se tornou alvo de críticas reiteradas de adversários políticos.
Na tarde de quinta (23/7), Fernando Haddad comentou o incêndio no trem da Trivia e afirmou que era resultado da “falta de gestão do governo Tarcísio”. O petista também afirmou que deve revisar contratos firmados por Tarcísio de Freitas, caso seja eleito.
Tarcísio foi ministro dos Transportes no governo Bolsonaro. Quando assumi o Ministério da Fazenda, eu e o ministro Renan Filho tivemos de rever, com acompanhamento do Tribunal de Contas, contratos assinados por ele que traziam prejuízo ao Tesouro Nacional.
Em SP, vou fazer a…
— Fernando Haddad (@Haddad_Fernando) July 23, 2026
“Vou analisar o contrato da Sabesp, o contrato do Centro Administrativo e os contratos da CPTM, que vêm apresentando tantos problemas depois da privatização”, escreveu o ex-ministro da Fazenda em publicação no X (antigo Twitter).
Entenda o caso
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- Na última terça-feira (21/7), a Trivia Trens assumiu em definitivo a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e o Expresso Aeroporto. O contrato de concessão assinado pela empresa tem duração de 25 anos e prevê R$ 14,3 bilhões de investimentos por parte da empresa.
- Desde então, a concessionária acumulou seis falhas de funcionamento nos dois primeiros dias de gestão. As linhas mais afetadas foram 11-Coral e 12-Safira.
- Por causa de um incêndio em um trem, a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foi interrompida na quinta-feira (23/7). Os passageiros precisaram desembarcar e caminhar sobre os trilhos na região da estação Tatuapé, no meio da escuridão.
- Após os problemas, a Artesp determinou que a CPTM voltará a atuar por até 90 dias em conjunto com a Trivia Trens após os três dias seguidos de falhas.
- O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) também pediu explicações ao governo paulista e à Trivia Trens S.A. sobre as falhas ocorridas na semana passada.
- Entre as informações solicitadas pelo TCE-SP estão o acionamento e a eficácia do plano de contingências diante das ocorrências; o plano de transição anterior ao início da operação não assistida, e a forma como foi processado o atestado de condições de infraestrutura.
- Na última sexta-feira (24/7) a CPTM comentou a possibilidade de sabotagem levantada pelo ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e pré-candidato a deputado federal Guilherme Derrite (PP) de que os próprios funcionários da estatal estariam envolvidos no incêndio. Uma investigação ainda será feita para identificar as causas das falhas e do incêndio.

