O programa Desenrola 2.0 já movimentou R$ 44,7 bilhões em crédito em menos de três meses em vigor, segundo dados do Ministério da Fazenda. Os números indicam um ritmo de negociações mais acelerado que o da primeira edição.
O montante corresponde a mais de 80% dos R$ 53 bilhões renegociados ao longo de dez meses na versão anterior, entre julho de 2023 e maio de 2024. No entanto, apesar do alcance, os dados mais recentes de endividamento indicam que os efeitos do programa ainda não se refletiram de forma significativa para a população.
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Em junho, 81,6% das famílias brasileiras estavam endividadas, mesmo percentual de maio, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), enquanto 29,9% tinham contas em atraso.
Além disso, de acordo com o Serasa, no mês passado, o país atingiu 83,7 milhões de negativados, o maior número da série histórica, após 18 meses consecutivos de alta.
Segundo a CNC, o cartão de crédito permanece como a principal modalidade de endividamento das famílias, citado por 84,7% dos consumidores, bem acima do carnê de loja (16%) e do crédito pessoal (13,2%).
A pesquisa do Serasa confirma o dado e aponta que 27,2% das dívidas estão relacionadas a bancos e cartões de crédito, enquanto 21,3% correspondem a contas básicas e 19,6% são dívidas financeiras.





O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva no lançamento do Novo Desenrola Brasil
LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNovaPresidente Lula assina MP que institui o Novo Desenrola Brasil
Reprodução/Gov.brLula lança Desenrola Adimplentes em evento no Palácio do Planalto
Ricardo Stuckert/PresidênciaPrograma visa zerar o endividamento das famílias
LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNovaDesenrola 2.0
O Desenrola 2.0 foi lançado em maio, em um contexto de endividamento recorde das famílias. Os dados recentes indicam que ainda há um intervalo entre a renegociação das dívidas e a melhora efetiva dos indicadores.
Assim, embora o programa tenha apresentado forte volume inicial e descontos relevantes, os dados disponíveis até o momento mostram que a inadimplência segue em patamar elevado no país.
O programa tem o objetivo de facilitar a regularização de débitos por meio de descontos, prazos mais longos e melhores condições de pagamento, em um cenário de endividamento recorde das famílias brasileiras.
Diferente da primeira edição, o Desenrola 2.0 passou a contemplar não apenas pessoas físicas, mas também micro, pequenas e médias empresas, por meio de linhas como o Pronampe e o Procred.
O programa reúne bancos e instituições financeiras para renegociar dívidas em atraso, além de prever o uso de garantias, como recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), para viabilizar crédito com juros mais baixos.
Segundo o governo, a expectativa é reduzir a inadimplência e estimular o consumo e a atividade econômica, embora os efeitos sobre os indicadores de endividamento possam aparecer de forma gradual ao longo do tempo.
Além dos R$ 44,7 bilhões em crédito, entre as famílias, foram registradas aproximadamente 3,5 milhões de operações, com um volume original de R$ 20,9 bilhões que caiu para R$ 3,7 bilhões após as renegociações.
No segmento empresarial, o programa também avançou por meio de linhas como o Pronampe, que somou R$ 21,7 bilhões em crédito, e o Procred, com R$ 1,5 bilhão.
Já as operações com garantia do FGTS totalizaram 97 mil contratos, somando R$ 55,5 milhões.
Quem pode participar do programa
- Pessoas físicas com renda mensal de até 5 salários mínimos podem aderir ao programa;
- Consumidores com dívidas de cartão de crédito, cheque especial ou crédito pessoal estão incluídos no escopo da medida;
- Os débitos precisam ter sido contratados até 31 de janeiro de 2026 e devem estar em atraso entre 91 dias e até 2 anos;
- O programa tem previsão de duração de 90 dias a partir de 4 de maio, data em que a Medida Provisória (MP) foi publicada, com condições como descontos de até 90%, juros de até 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 meses.
Banco Central alerta para alta no endividamento
O Banco Central (BC) tem alertado para o nível historicamente elevado do endividamento das famílias brasileiras, que segue em trajetória de alta. Em nota do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), divulgada no começo de julho, a autoridade monetária afirmou que o comprometimento de renda com dívidas permanece elevado, com destaque para o avanço das modalidades de crédito mais caras, como o cartão de crédito.
Segundo o BC, o cenário combina aumento do endividamento com deterioração dos indicadores de inadimplência, o que acende um sinal de atenção para a capacidade de pagamento das famílias.
A autoridade ressalta que o ambiente de juros ainda elevados e o uso intensivo de crédito rotativo contribuem para manter a pressão sobre o orçamento doméstico.
“O endividamento e o comprometimento de renda das famílias estão historicamente elevados e seguiram aumentando. O contínuo aumento da participação de modalidades mais onerosas na composição da dívida deve continuar impactando o comprometimento de renda”, diz em nota.

