Uma organização criminosa suspeita de operar um sistema de agiotagem com juros que chegavam a até 70% por mês foi alvo de uma operação do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), nesta segunda-feira (27/7).
As investigações apontam que o grupo concedia empréstimos de até R$ 200 mil por vítima, impondo juros entre 30% e 70%. Entre os investigados estão três advogados e um policial militar.
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A operação Usura é baseada em uma investigação instaurada há cerca de quatro meses, após denúncia apresentada por uma servidora do Poder Judiciário, que relatou a atuação do grupo contra servidores públicos.
A partir das diligências realizadas, o Gaeco identificou uma estrutura organizada voltada à concessão de empréstimos com cobrança de juros abusivos e à intimidação de vítimas para garantir o pagamento das dívidas.
As ações tiveram início na última quarta (22), quando um policial militar investigado por integrar a organização criminosa foi preso. Nesta segunda (27), foi deflagrada a fase principal da operação, com o cumprimento dos demais mandados judiciais expedidos pela Justiça.




A investigação
Entre os investigados estão um policial militar e três advogados. Os escritórios dos profissionais também foram alvo de mandados de busca e apreensão, por estarem diretamente vinculados aos investigados.
Segundo os elementos reunidos até o momento, as cobranças eram feitas por meio de intimidação psicológica.
Até o momento, foram identificadas inúmeras vítimas, a maioria delas servidores do Poder Judiciário. Ainda não é possível estimar o prejuízo financeiro causado pelo esquema nem delimitar o período exato de atuação da organização criminosa.
A operação
O coordenador do Gaeco e do Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (CAO-Crimo), promotor de Justiça Leonardo Tupinambá, informou que as investigações são conduzidas pelo promotor de Justiça André Epifânio, com o apoio dos demais membros do Gaeco, e prosseguirão para identificar toda a extensão da atuação da organização criminosa e responsabilizar todos os envolvidos.
Ao todo, 24 pessoas físicas e jurídicas são investigadas. Nesta fase da operação, foram expedidos dois mandados de prisão e 16 de busca e apreensão. Um mandado de prisão permanece pendente de cumprimento, uma vez que o investigado não foi localizado e é considerado foragido.
Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em imóveis localizados nos bairros Japiim, Ponta Negra, Centro, Adrianópolis e Flores, em Manaus.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, duas pessoas foram presas em flagrante, uma delas pelo crime de desacato.
Apreensões
Na ação policial, foram apreendidos dois veículos, dinheiro em espécie, joias, documentos e aparelhos celulares. Também foram determinadas medidas de bloqueio de contas bancárias dos investigados.
Cerca de R$ 160 mil em espécie foram localizados durante a operação. O Gaeco informou que o valor ainda será submetido à conferência oficial.
As investigações seguem sob sigilo para aprofundar a apuração dos fatos, identificar a totalidade das vítimas, dimensionar os prejuízos causados pelo grupo criminoso e verificar a eventual participação de outros envolvidos na organização criminosa.

