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Durigan vê solução para impasse sobre tarifas dos EUA só após eleições

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Durigan vê solução para impasse sobre tarifas dos EUA só após eleições

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse, nesta segunda-feira (27/7), acreditar que as tarifas impostas aos produtos brasileiros pelos Estados Unidos devem se resolver só após as eleições de outubro deste ano. O ministro ainda avisou que participará da reunião de ministros das Finanças e governadores de Bancos Centrais em Asheville, Carolina do Norte (EUA), no âmbito do G20 no fim de agosto deste ano.

“Espero que, tão logo eu vou encontrar o ministro das Finanças dos Estados Unidos (secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent), nas reuniões do G20, que eu devo participar no próximo mês, vou falar com ele, vou levar todos os nossos argumentos respeitosos como sempre, mas eu acho que isso aí se resolve depois da eleição, de uma forma ou de outra”, disse em entrevista à Rádio Jornal.

O governo federal menciona, em várias oportunidades, a participação da família Bolsonaro na imposição da tarifa ao Brasil.

A proximidade entre o presidente Donald Trump e o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-SP) é um dos argumentos. O governo interpreta que Trump teria imposto as tarifas por motivação política, para ajudar Flávio.

Em uma nota na última sexta-feira (24/7), sem citar nomes diretamente, o Ministério das Relações Exteriores (MME) emitiu uma nota na qual critica os “traidores da Pátria”.

“Os traidores da Pátria não conseguirão reescrever a história. O Brasil sabe que o tarifaço tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira”, disse o MME em nota.

As tarifas

Na última semana, os Estados Unidos tiveram duas medidas sobre taxas impostas pelos norte-americanos. Na última quinta-feira (23/7), os EUA decidiram aplicar uma nova tarifa aos produtos brasileiros adquiridos pelos norte-americanos.

O percentual é de 12,5% e se refere à acusação de que o Brasil seja ineficiente no combate ao ingresso de mercadorias fabricadas com trabalho forçado. A decisão foi amparada por uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Na última quarta-feira (22/7), entrou em vigor a tarifa imposta pelo governo de Donald Trump, com percentual de 25%.

A tarifa de 25% foi deliberada após a conclusão de outra USTR acerca de supostas “práticas desleais” do Brasil que prejudicariam empresas e exportadores norte-americanos.

Para impor a tarifa, o USTR citou como motivos para a medida tarifas preferenciais injustas adotadas pelo Brasil em relação a outros países, falhas no combate à corrupção, desleixo com a proteção da propriedade intelectual, dificuldades impostas para o acesso, pelos norte-americanos, ao mercado de etanol e falta de eficácia no combate ao desmatamento ilegal.

Medidas do governo

O governo federal afirma que tenta negociar as tarifas com os EUA e que houve mais de 30 reuniões sobre o assunto.

Para conter os efeitos das taxas sobre os setores afetados, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou o investimento de R$ 130 milhões que serão aplicados em um plano de diversificação a ser anunciado em agosto deste ano.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também assinou, na última quarta, uma medida provisória (MP) que prevê R$ 18,5 bilhões em apoio a empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos (EUA). Os recursos integram a terceira fase do plano Brasil Soberano.

Flávio defendeu adiamento

Apesar do atual discurso de “negociação das tarifas”, Flávio Bolsonaro defendeu, no início de julho, em audiência pública nos EUA, que o tarifaço aos produtos brasileiros fosse adiado para depeois das eleições brasileiras, pois a medida dos EUA poderia favorecer eleitoralmente o presidente Lula.

“O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa, que seria difícil de reverter, recompensaria os resposáveis pelas ações em questão”, afirmou, na ocasião.

Em entrevista a jornalistas após a audiência, o senador recuou e passou a dizer que defende o cancelamento do tarifaço, e não o adiamento. “Quem quer a tarifa é o Lula, então a gente tem que usar os argumentos políticos aqui. [Quero] cancelamento, eu não quero tarifa para o Brasil. Só quem quer tarifa é o Lula”.

Terra arrasada

Já  ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) chegou a comemorar o primeiro tarifaço imposto ao Brasil pelos EUA, em 9 de julho de 2025. Em uma publicação no Truth Social, o filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) agradeceu ao presidente Donald Trump um dia após anúncio o anúncio de tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados.

“Obrigado, presidente Donald J. Trump. Espero que as autoridades brasileiras agora tratem esses assuntos com a seriedade que merecem. O Brasil não pode — e não vai — se tornar outra Venezuela, Cuba ou Nicarágua. Deus abençoe os Estados Unidos, Deus abençoe o Brasil”.

Três dias após os EUAs abrirem uma investigação comercial contra o Brasil, Eduardo afirmou: “Se houver o cenário de terra arrasada, pelo menos eu estarei vingado”.

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