Integrantes da pré-campanha e do Palácio do Planalto avaliam que a defesa da soberania será um dos grandes temas da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Aliados também destacam a fortalecimento da democracia, a pauta da segurança pública e o fim da escala 6×1 como focos da corrida eleitoral neste ano.
O tema da soberania ganhou força na reta final do mandato a partir de imposição de sanções econômicas e políticas por parte do governo dos Estados Unidos (EUA). Nessa semana, o Brasil virou alvo de uma nova rodada de tarifas, que somadas chegam a 37,5%.
Desde o ano passado, o governo norte-americano já havia tomado medidas no campo político que acenderam o alerta no governo brasileiro sobre riscos de interferências. Entre elas, está aplicação de sanções contra autoridades com base na Lei Magnitsky, e a recente decisão de classificar facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como terroristas.
O entorno do presidente atribui as medidas à atuação de aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), especialmente o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que se mudou para os Estados Unidos para articular ações contra o governo brasileiro.
O discurso duro em defesa da soberania rendeu ganhos políticos ao presidente. A resposta de Lula ao tarifaço deu impulso à recuperação da popularidade do governo em 2025, que vinha patinando nas pesquisas de opinião.
As sondagens também apontam que prevalece entre a população a ideia de que Flávio tem culpa na imposição das tarifas. Segundo levantamento da Genial/Quaest, 51% dos entrevistados acreditam que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu para Donald Trump aplicar taxas contra o Brasil, enquanto 30% dizem o contrário.
Diante do quadro, a expectativa é que a defesa da soberania seja reforçada durante a campanha de reeleição de Lula. Nesta semana, o Partido dos Trabalhadores (PT) lançou o mote “O Brasil Não Se Entrega”, que busca associar o tema da soberania ao dia a dia do brasileiro e destaca, entre outros pontos, a defesa do Pix, do emprego e da indústria nacional.







Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, posa para retrato com a camisa da Seleção Brasileira
Ricardo Stuckert / PRPresidente Lula
Ricardo StuckertO presidente Lula
Ricardo Stuckert / PRPresidente Lula
Ricardo Stuckert / PRPresidente Lula
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografoPresidente Lula
Ricardo Stuckert / PRDemocracia
Associada à questão da soberania, a defesa da democracia também deve ser explorada ao longo da corrida presidencial. O assunto tomou parte do discurso de Lula durante a convenção nacional do PDT, na última segunda-feira (20/7).
O petista tem batido na tecla que governos anteriores deixaram um cenário de terra arrasada em políticas públicas e decidiu concorrer a um quarto mandato para evitar que a extrema direita retorne ao poder.
Na avaliação de aliados de Lula, outro episódio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro reforçou a necessidade da defesa do regime democrático brasileiro durante as eleições. Durante reunião com embaixadores, o presidenciável do PL questionou o funcionamento das urnas eletrônicas com informações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Flávio afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic, supostamente envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012, conforme relatório da Agência Central de Inteligência (CIA), dos Estados Unidos, divulgado nesta semana. O TSE, no entanto, já esclareceu que as urnas não são fornecidas pela empresa.
Campanha eleitoral
- A campanha eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto. Os partidos têm até o dia 15 para oficializar os nomes que vão disputar as eleições deste ano.
- A convenção nacional do PT, que vai formalizar a candidatura de Lula, será em 2 de agosto, em São Paulo.
- Esta será a sétima vez que o petista participa de uma disputa presidencial. Em três delas, saiu vencedor.
- Se reeleito, Lula será o primeiro a governar o Brasil por quatro mandatos na era democrática.
Outros temas
Além da defesa da soberania e da democracia, outros temas são citados pela pré-campanha como prioritários. Um deles é a segurança pública — área considerada sensível e que o petista tem investido nessa reta final de mandato. O combate à violência contra a mulher também se tornou pauta frequente nos discursos e deve se repetir nos eventos de campanha.
O fim da escala de trabalho 6×1 é outra agenda que deve ser defendida pelo presidente ao longo da disputa pelo quarto mandato. Auxiliares já admitem que a proposta de emenda à Constituição (PEC) que versa sobre o tema pode não ser votada no Senado antes das eleições. Com isso, a expectativa é que a medida se torne uma bandeira de campanha.
A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio, e chegou ao Senado no dia seguinte. Desde então, aguarda despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para iniciar a tramitação. O senador, no entanto, não deu sinal de que vai avançar com o tema.
O texto reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e assegura dois dias de descanso remunerado por semana. Na prática, acaba com o modelo em que o trabalhador atua por seis dias e folga apenas um. A avaliação é que, ainda que a proposta seja aprovada, pode ser explorada como uma vitória do governo Lula e impulsionar a campanha de reeleição.
Integrantes da pré-campanha ainda elencam saúde, emprego e meio ambiente como áreas importantes para o petista.

