Candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD) criticou, nesta segunda-feira (27/7), a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
Em agenda em Bebedouro (SP), o governador de Goiás classificou como “inadmissível” a interferência de líderes estrangeiros no processo eleitoral brasileiro.
“A eleição é decidida no seu país, é inadmissível ingerência de qualquer outro país na sua campanha eleitoral, até porque faz parte da liturgia de um presidente da República saber se ausentar das discussões de outros países. Isso é respeito com o povo que realmente está lá decidindo a sua condição e definindo quem é o seu candidato ou quem deve ser eleito no país”, afirmou.
As declarações ocorrem após Milei participar, no último sábado (25/7), do evento do PL, em São Paulo, onde fez ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O mandatário argentino chamou Moraes de “lixo careca” e se referiu a Lula como “ladrão” e “presidiário”.
As ofensas ao ministro do STF ocorreram depois de Moraes negar o pedido de Milei para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado, que cumpre prisão domiciliar. O magistrado proibiu visitas com finalidade político-eleitoral até o fim do período eleitoral.
Para Caiado, a presença de líderes estrangeiros na campanha brasileira representa uma interferência indevida na democracia e não contribui para o debate nacional.
“Essa grosseria não consumiu nada. Pelo contrário, foi uma atitude deplorável de alguém que acha que pode se dirigir a qualquer pessoa no nosso país da maneira como foi colocado. Isso não acrescenta”, declarou.




Ronaldo Caiado oficializa candidatura à Presidência
ReproduçãoJavier Milei participou de evento de Flávio Bolsonaro
ReproduçãoRonaldo Caiado e Gilberto Kassab, nas convenções do PSD, em São Paulo
Reprodução/PSDCrise diplomática
- As falas de Milei durante a convenção do PL provocaram uma escalada na tensão diplomática entre Brasil e Argentina.
- No domingo (26/7), a chancelaria brasileira convocou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para transmitir a “repulsa do governo brasileiro aos impropérios emitidos” pelo presidente argentino.
- Na mesma ocasião, o Itamaraty também chamou de volta a Brasília o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para consultas — medida considerada um gesto diplomático de maior gravidade.
- Em nota, o governo brasileiro afirmou que “não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”.
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Caiado também responsabilizou tanto o petista quanto aliados de Bolsonaro pelo acirramento da polarização política e afirmou que as provocações entre os grupos desviam a atenção dos principais problemas enfrentados pela população.
“Fica o Lula agredindo o Trump, falando da dentadura dele, falando da grosseria dele, provocando o Trump, e fica o Flávio trazendo pessoas que vêm aqui agredir o processo político eleitoral. Então, independente de que lado seja, nós não podemos admitir essa ingerência externa. Nós brasileiros saberemos definir e decidir o próximo presidente da República”, disse.

