Helen Kelly de Lima Pedrosa, de 45 anos, investigada pela morte do cabo da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) José Maria Alexandre da Silva Junior (foto em destaque), de 40 anos, pediu aos policiais autorização para subir ao quarto e trocar uma peça íntima logo após receber voz de prisão, segundo a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE).
Foi nesse momento em que ela pulou da janela do apartamento, localizado no quarto andar de um edifício em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, e caiu sobre um carro estacionado em frente ao prédio.
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A mulher foi socorrida por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital da Restauração, onde permanece internada sob escolta policial. O estado de saúde não foi divulgado oficialmente, mas a coluna apurou que é grave.
À coluna, o advogado Rafael Nunes, que representa Helen, afirmou que ainda não conseguiu conversar com a cliente e, por isso, a dinâmica da queda é a confirmada pelo delegado, que informou ter gravado tudo.
Além disso, Rafael disse que ainda não teve acesso integral aos fundamentos da decisão judicial que resultaram na prisão da mulher.
“Ela colocou o apartamento à venda um dia após o fato e a polícia entendeu isso como possibilidade de fuga. A base jurídica é essa. Porém, não tem nada que a coloque no cenário como acusada”, afirmou.
Investigação
A morte de José Maria foi registrada em 11 de junho, depois que o cabo passou mal dentro do apartamento da ex-companheira, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
Documentos obtidos pela coluna e veiculados à época mostravam que Helen havia conseguido uma medida protetiva contra o policial na Justiça após relatar episódios de agressão física, perseguição e comportamento possessivo.
Algumas mensagens indicavam que José Maria pressionava a ex-companheira para retirar a medida judicial e retomar o relacionamento. Em uma delas, escreveu:
“Eu sei que você ainda só. Coisa boa pode não acontecer. O que você vai perder eu não sei. Mas você vai perder. Tire as medidas na moral.”
Segundo o depoimento prestado por Helen, o casal havia decidido encerrar definitivamente o relacionamento poucos dias antes da morte. Apesar disso, os dois continuaram mantendo contato e voltaram a se encontrar na noite do ocorrido.
Conforme os relatos reunidos pela investigação, José Maria chegou ao apartamento após deixar o trabalho. Embora estivesse impedido de frequentar o imóvel em razão da medida protetiva, teve a entrada autorizada por Helen.
Durante a madrugada e parte da manhã, os dois consumiram energético. Foi durante esse período que ocorreu a suposta troca de taças, um dos principais pontos investigados pela polícia.
À época, a defesa de Helen afirmou que ela utilizava taças identificadas porque alugava quartos no apartamento. Segundo essa versão, ao voltar da cozinha após buscar gelo, percebeu que os copos pareciam ter sido trocados. Desconfiada, teria recolocado cada taça na posição original enquanto José Maria estava na varanda.
Horas depois, o policial começou a passar mal. Conforme os relatos, ele apresentava espuma na boca e os lábios arroxeados. Equipes da PM foram acionadas, mas o óbito foi constatado no local.
As taças e amostras das bebidas consumidas foram apreendidas para perícia. Os exames toxicológicos realizados no cabo não apontaram a presença de substâncias entorpecentes, mas também não esclareceram a causa da morte.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE).

