O traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, foi retirado de Bangu 1 e colocado em isolamento enquanto aguarda nova transferência para um presídio federal, após deixar o sistema penitenciário federal em dezembro do ano passado.
Aliado do ex-deputado TH Joias, Índio foi preso em setembro do ano passado na mesma operação que levou à prisão do ex-parlamentar.
Segundo a Polícia Federal (PF), o traficante é um dos chefes do Comando Vermelho (CV) e atuava como articulador entre a facção criminosa e TH Joias. Ele é apontado como o “tesoureiro” da organização.
Um parecer do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) aponta que Índio é um dos principais aliados de Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho, chefe da facção no Complexo do Alemão e foragido há 15 anos.
Conforme apurou a coluna, após retornar ao sistema prisional fluminense, Índio foi inicialmente colocado em uma unidade destinada a presos sem vínculo com facções. Entre janeiro e maio deste ano, porém, foi transferido três vezes entre presídios do estado, em alguns casos com intervalo de apenas algumas horas. Antes, ele estava na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR).
Para o Ministério Público, a sequência de movimentações foge ao padrão adotado pela administração penitenciária e levanta suspeitas de possíveis irregularidades envolvendo policiais penais.
A unidade prisional de destino não foi divulgada pelos investigadores. O sigilo é adotado por questões de segurança, para evitar riscos à operação e possíveis retaliações.
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Investigações
Índio é investigado por tráfico internacional de armas e, segundo as investigações, contava com uma espécie de batalhão formado por policiais militares responsáveis por sua segurança pessoal e pelo apoio logístico da organização criminosa.
Conforme mostrou a coluna do Metrópoles de Mirelle Pinheiro, a esposa do traficante, Fernanda Ferreira Castro, foi lotada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) por indicação de TH Joias e dava respaldo institucional à família do criminoso, além de reforçar os laços com a cúpula do CV.
Áudios aos quais a Polícia Federal teve acesso mostram a relação entre TH Joias e o traficante. Em uma das gravações, datada de julho de 2024, TH responde a um pedido de Índio, apontado como um dos chefes da facção no Complexo do Alemão: “Seu pedido é uma ordem. Eu trabalho pra você.”
Segundo a PF, após assumir o mandato na Alerj, TH manteve encontros com traficantes e intercedeu em favor da facção.
Em outro diálogo, ele teria pedido que um Pix fosse enviado a Pezão, apontado pelas investigações como o atual chefe do Comando Vermelho no Complexo do Alemão.

