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Índia: "Revolta das Baratas" derruba ministro da Educação

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Índia: "Revolta das Baratas" derruba ministro da Educação

A pressão das ruas e a escalada de protestos estudantis – a “Revolta das Baratas” – levaram o ministro da Educação da Índia, Dharmendra Pradhan, a renunciar ao cargo neste sábado (25/7). A saída do auxiliar representa o maior sobressalto político enfrentado pelo primeiro-ministro Narendra Modi desde sua reeleição, além de ser encarada como a maior vitória até agora de um movimento jovem que nasceu na internet e parou o país.

Em publicação na rede social X, Pradhan justificou a entrega do cargo alegando a necessidade de preservar a unidade nacional e permitir que os jovens voltem a focar nas carreiras.

A decisão foi anunciada poucas horas antes de uma reunião agendada entre a cúpula do governo e lideranças da mobilização, que celebrou com festa o recuo da gestão Modi na esplanada de Jantar Mantar, em Nova Délhi.

O gatilho para a crise ocorreu em maio, após a denúncia de fraudes em um exame nacional de medicina prestado por mais de 2 milhões de candidatos. O cancelamento da prova altamente competitiva e o impacto psicológico da fraude teriam levado cerca de 20 estudantes ao suicídio, gerando forte indignação em um país onde os jovens encaram concorrência brutal e falta de oportunidades no mercado de trabalho.

A indignação ganhou corpo através do chamado “Partido Popular das Baratas”, grupo surgido nas redes que apropriou de forma provocativa uma declaração do presidente da Suprema Corte, Surya Kant, na qual desempregados foram comparados a insetos.

A apropriação do termo virou símbolo de contestação e acumulou dezenas de milhões de seguidores, transformando a insatisfação virtual em uma força de mobilização política real.

Inicialmente focado na punição aos responsáveis pelas irregularidades nos exames, o movimento expandiu sua pauta para denunciar o desemprego juvenil, o alto custo de vida e a condução política de Modi. Das telas para as ruas, a contestação mobilizou multidões e passou a tensionar a relação entre a dita geração Z indiana e o establishment político em várias regiões do país.

Momento mais dramático

A crise viveu seu momento mais dramático a partir de segunda-feira (20/7), quando a polícia usou bombas de gás e cassetetes para barrar uma marcha estudantil rumo ao Parlamento. Os confrontos deixaram pelo menos 180 feridos segundo fontes oficiais — número estimado em centenas pelos organizadores —, o que acabou por intensificar os atos em vez de desmobilizar os manifestantes.

Mesmo com o bloqueio do acesso à internet em partes da capital e o fechamento de 18 estações de metrô ordenados pelas autoridades neste sábado, o governo não conseguiu conter a pressão. A queda do titular da Educação escancara um debate nacional profundo sobre as mazelas do sistema de ensino e os gargalos do mercado de trabalho na Índia.

Com informações do portal RFI.