O lançamento de Elize: Sombras de uma Mulher, novo filme da Netflix inspirado no assassinato de Marcos Matsunaga, levantou novamente uma dúvida entre o público: Elize Matsunaga recebeu dinheiro pela produção?
Não há qualquer indicação de que isso tenha acontecido e, na prática, esse tipo de remuneração é incomum em obras baseadas em crimes reais.
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O longa, lançado nesta semana, dramatiza a trajetória de Elize desde antes do relacionamento com o empresário até o assassinato ocorrido em 2012. Embora seja inspirado em fatos reais, a produção também cria situações ficcionais para construir a narrativa.







Baseado no caso real de Elize Matsunaga, o novo filme da Netflix chamado Elize: Sombras de uma Mulher, traz uma nova visão sobre a trajetória da assassina que chocou o Brasil em 2012
ReproduçãoAlém de retratar o passado da personagem principal, o longa lançado nessa quarta-feira (22/7) aborda “o que pode ter sido a história”, segundo a protagonista, Lorena Comparato. Portanto, alguns detalhes foram inspirados na história real e outros, não
ReproduçãoElize e Marcos se conheceram em 2004, quando o empresário ainda era casado e ela atuava na área de acompanhantes
ReproduçãoOs dois mantiveram um relacionamento extraconjugal por cerca de três anos antes de oficializarem a separação de Marcos
ReproduçãoEles passaram a morar juntos em 2007 e se casaram oficialmente em outubro de 2009
ReproduçãoA relação de Elize e Marcos começou a ruir em maio de 2012, quando ela procurou um advogado para discutir um possível divórcio
ReproduçãoEm meados do mesmo mês, ela contratou um detetive particular para seguir o então marido e descobriu as traições
ReproduçãoO assassinato aconteceu no dia 19 de maio de 2012
ReproduçãoApesar de replicar muitas informações do caso, a atriz que interpreta a personagem principal conversou com o Metrópoles sobre como a produção “bebeu na fonte dos fatos” para filtrar e construir os personagens inspirados na história real
Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo/ArquivoVivendo “na pele” o que Elize Matsunaga deve ter passado na época do assassinato de Marcos, Lorena avalia que não cabe a ela, como atriz, julgar o porquê uma personagem faz ou não certas escolhas e explica que o longa é baseado na percepção do diretor, Felipe Vellas, e dos roteiristas Raphael Montes e Mariana Torres sobre o crime
ReproduçãoNo Brasil, obras inspiradas em fatos públicos ou de interesse jornalístico não dependem de autorização da pessoa retratada nem obrigam produtores a pagar pela utilização da história.
Além disso, o ordenamento jurídico brasileiro adota o entendimento de que ninguém pode obter vantagem econômica decorrente do próprio crime. Por isso, embora familiares, advogados ou pessoas envolvidas possam negociar entrevistas e direitos autorais sobre obras próprias, não existe obrigação legal de remunerar condenados por adaptações de casos criminais.
O que aconteceu no documentário da Netflix?
Este é o segundo projeto da Netflix sobre o caso Matsunaga. Em 2021, a plataforma lançou a série documental Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime, construída a partir de entrevistas concedidas pela própria Elize.
Na época, surgiram especulações de que ela teria recebido um cachê para participar da produção. A informação, porém, foi negada pela equipe responsável pelo documentário.
A jornalista Thaís Nunes, idealizadora da série documental, e os produtores afirmaram que nenhum entrevistado recebeu pagamento, incluindo Elize. Segundo eles, a ausência de remuneração foi uma condição estabelecida durante as negociações, que duraram cerca de 18 meses.
O principal argumento utilizado para convencê-la a participar foi a possibilidade de deixar registrada sua versão dos fatos para a filha, que tinha apenas seis meses quando Marcos Matsunaga foi assassinado. Ao todo, a equipe gravou cerca de 21 horas de entrevista com Elize.
E no novo filme?
Diferentemente do documentário, Elize: Sombras de uma Mulher é uma obra de ficção estrelada por Lorena Comparato e não conta com a participação da própria Elize Matsunaga.
A Netflix foi procurada pelo Metrópoles, mas não respondeu se houve qualquer pagamento à condenada relacionado ao filme. Também não há registros públicos de que ela tenha sido remunerada pela produção. Assim como ocorreu no documentário, tudo indica que ela não recebeu valores pela adaptação de sua história.

