As tarifas de 37,5% impostas pelos Estados Unidos devem atingir 16,5% das exportações brasileiras, o equivalente a US$ 6,6 bilhões (cerca de R$ 33,6 bilhões), segundo afirmou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta sexta-feira (24/7).
De acordo com a pasta, 52,7% das exportações estão livres de qualquer tarifa, nessa categoria estão, por exemplo, café, carnes, ferro fundido, aeronaves, suco de laranja, frutas, vários produtos químicos e a maior parte das exportações de celulose.
No entanto, 4,7% da exportação está sujeita a taxa de 12,5%, anunciada na última quinta-feira (23/7), relacionada a alegação de práticas de trabalho escravo no país.
Outros 1,9% dos itens enviados aos EUA estão sujeitos a tarifa de 25%, aplicada no dia 15 de julho, e que teve origem em uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sobre possíveis práticas de comércio desleais por parte do Brasil.
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Sendo assim, 16,5% das exportações estão sujeitas as duas tarifas, sofrendo uma dupla tarifação. Além disso, 24,2% das exportações, segundo informou o MDIC, estão sujeitas a tarifas específicas, aplicadas a todos os países com base na seção 232 da Lei de Comércio americana.
De acordo com o levantamento, o impacto é concentrado em parte da pauta exportadora, principalmente em bens industriais. O ministério destaca que o mapeamento busca dimensionar exatamente quais exportações estão expostas às tarifas e orientar possíveis respostas do governo.
Entre as alternativas estão negociações comerciais com os EUA e a ampliação de mercados para reduzir a dependência de um único destino.
A pasta destacou que a intensificação das tarifas aplicadas pelos EUA ocorre em meio à perda de ritmo do comércio entre os dois países.
Queda
Depois de alcançar o recorde de US$ 40,4 bilhões em 2024, as exportações brasileiras para o mercado americano caíram para US$ 37,7 bilhões em 2025 e seguiram em retração ao longo de 2026, refletindo o impacto das novas sobretaxas.
No primeiro semestre deste ano, as vendas somaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13% na comparação com o mesmo período de 2025. O recuo foi puxado, principalmente, pela redução nos embarques de petróleo bruto (-30,4%) e de produtos de ferro e aço em formas primárias (-21,7%).
Com isso, o país perdeu espaço como destino das exportações brasileiras, passando de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026.
A participação já havia caído de 12,0% em 2024 para 10,8% em 2025. As importações brasileiras de produtos americanos também diminuíram no período, contribuindo para uma queda de 12,8% na corrente de comércio bilateral.

