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Estudo identifica neurônios que protegem o coração durante o estresse

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Estudo identifica neurônios que protegem o coração durante o estresse

Muito além de responder aos comandos do cérebro, o coração possui um sistema nervoso próprio que ajuda a controlar seus batimentos. Um estudo publicado nessa quarta-feira (22/7) na revista Cell mostra que essa rede de neurônios tem funções diferentes e desempenha um papel importante para proteger o órgão em situações de estresse.

A pesquisa, realizada por cientistas da Escola de Medicina da Universidade Yale, nos Estados Unidos, foi conduzida em camundongos e pode contribuir para uma melhor compreensão de doenças cardíacas, como insuficiência cardíaca, infarto e arritmias.

O que é o “pequeno cérebro” do coração

Assim como o intestino possui um sistema nervoso próprio, o coração também conta com uma rede de neurônios conhecida como sistema nervoso cardíaco intrínseco. Essas células ficam distribuídas no tecido que envolve o órgão e se comunicam tanto entre si quanto com o cérebro para ajudar a controlar o funcionamento cardíaco.

Até agora, pouco se sabia sobre o papel de cada um desses neurônios porque eles são extremamente raros e representam cerca de 0,01% das células presentes no tecido cardíaco.

Para investigar a rede, os pesquisadores modificaram geneticamente camundongos para identificar todos os neurônios do coração. Depois, mapearam seus genes e descobriram dois grupos principais de células com funções diferentes.

Um deles, chamado Npy+, mostrou ser indispensável para manter o coração funcionando. Quando estimulado, reduziu a frequência cardíaca dos animais. Já sua eliminação levou à insuficiência cardíaca e à morte dos camundongos.

Como o coração reage ao estresse

O segundo grupo de neurônios, chamado Ddah1+, parecia não produzir nenhum efeito quando era ativado ou eliminado. Mas uma observação feita durante um experimento mudou essa conclusão.

Enquanto media a pressão arterial de um camundongo sem esses neurônios, uma pesquisadora percebeu que o animal morreu logo após o procedimento. A equipe repetiu os testes e verificou que cerca de dois terços dos camundongos sem os neurônios Ddah1+ morreram quando submetidos a situações de estresse.

“Imediatamente antes da morte do animal, ocorre uma queda repentina na frequência cardíaca, e ela nunca se recupera”, explica Rui Chang, neurocientista da Escola de Medicina da Universidade de Yale, e coautor da pesquisa.

Os cientistas passaram então a expor os animais a diferentes situações estressantes e observaram o mesmo resultado. Por outro lado, quando esses neurônios eram estimulados, os camundongos apresentavam maior chance de sobreviver.

Segundo os autores, isso indica que esse grupo de células funciona como uma espécie de proteção para o coração durante momentos de estresse intenso.

O que a descoberta pode representar

Embora o estudo tenha sido realizado em camundongos, os pesquisadores destacam que genes presentes nesses neurônios também foram identificados em células cardíacas humanas, o que sugere que mecanismos semelhantes possam existir nas pessoas.

Para Chang, compreender melhor o sistema é importante porque ele está relacionado a doenças como infarto, insuficiência cardíaca e arritmias.

Hoje, alguns tratamentos já atuam sobre essa rede de neurônios de forma indireta, como a ablação cardíaca, procedimento usado para tratar certos distúrbios do ritmo do coração. No entanto, os cientistas afirmam que conhecer melhor a função das células poderá tornar essas intervenções mais precisas e favorecer o desenvolvimento de novas terapias.