A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) afirmou, nesta quinta-feira (24/7), que cerca de US$ 10,7 bilhões em exportações brasileiras aos Estados Unidos serão atingidos por uma sobretaxa total de 37,5% após a entrada em vigor da nova tarifa norte-americana de 12,5%.
Segundo a entidade, a nova alíquota, aplicada no âmbito de uma investigação da Seção 301 sobre produtos fabricados com trabalho forçado, soma-se à tarifa adicional de 25% anunciada anteriormente pelo governo de Donald Trump.
A medida alcança cerca de 3 mil produtos brasileiros, correspondentes a aproximadamente US$ 12,5 bilhões em exportações anuais para o mercado norte-americano. Desse total, 85,3% das vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, estarão sujeitas ao acúmulo das duas sobretaxas.
Em nota, a Amcham Brasil classificou a decisão como um agravamento das condições de acesso das exportações brasileiras aos Estados Unidos e afirmou que o impacto coloca determinados setores entre os mais penalizados pela política tarifária norte-americana.
“A nova tarifa amplia os impactos negativos sobre as exportações brasileiras, com diversos setores sujeitos a sobretaxas expressivas de 37,5%. A reversão desse cenário passa necessariamente pela retomada das negociações entre os dois governos. O entendimento bilateral é o caminho mais eficaz para atender aos interesses de ambos os lados”, afirmou o presidente da entidade, Abrão Neto.
A entidade também alertou que a medida pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, elevar custos para empresas e consumidores norte-americanos, além de afetar cadeias produtivas integradas entre os dois países.




Porto de Paranaguá (PR)
APPA/DivulgaçãoJamieson Greer
Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc via Getty ImagesLula e Trump em encontro na Casa Branca
Ricardo Stuckert/Presidência da RepúblicaTarifa dos EUA foi aplicada após investigação sobre trabalho forçado
- A nova sobretaxa de 12,5% entra em vigor nesta sexta-feira (24/7) e foi aplicada pelo governo dos Estados Unidos contra cerca de 60 economias, incluindo o Brasil.
- Tal medida se soma à sobretaxa adicional de 25% aplicada nesta semana sobre cerca de US$ 7,2 bilhões em exportações brasileiras.
- Agora, a sobretaxa contra o país chega a 37,5%.
- Ela tem origem em uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
- Segundo o órgão norte-americano, o Brasil integra o grupo de países que não possuem ou não aplicam de forma efetiva uma proibição à importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Por esse motivo, recebeu a faixa mais alta da nova política tarifária.
- A tarifa substituiu a taxa global temporária de 10%, aplicada desde fevereiro deste ano após uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que invalidou parte das tarifas anunciadas por Trump.
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Ainda durante a fase de consultas públicas da investigação, o governo brasileiro contestou as conclusões apresentadas pelo USTR.
Em manifestação enviada ao órgão em junho, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil possui normas internas e compromissos internacionais voltados ao combate ao trabalho forçado.
O USTR, por outro lado, argumenta que a ausência de mecanismos considerados eficazes para impedir a entrada desses produtos cria uma situação de concorrência desleal para empresas norte-americanas.
Amcham critica medidas de reciprocidade
Na nota divulgada nesta quinta-feira, a Amcham Brasil afirmou que medidas de reciprocidade não ajudam a resolver as divergências comerciais entre os países e podem ampliar a tensão entre os governos.
“A entidade reitera que medidas de reciprocidade não contribuem para superar as divergências atuais e apresentam elevado risco de provocar uma escalada política e comercial, agravando os impactos econômicos para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros”, declarou.

