O governo deve se reunir com representantes dos setores mais atingidos pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos para discutir medidas para amenizar os impactos. A tarifa de 25% entra em vigor nesta quarta-feira (22/7).
As negociações são conduzidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pelo Ministério da Fazenda. Na quinta-feira (16/7), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o governo federal vai lançar um programa de apoio para os setores econômicos que forem prejudicados pelo tarifaço.
“O governo terá um programa de apoio aos que aqui estão labutando, trabalhando e que tenham problemas”, disse. Entre as medidas avaliadas estão a ampliação dos instrumentos do Plano Brasil Soberano, o apoio financeiro às empresas e o reforço das ações de promoção comercial para a abertura de novos mercados.
Os setores mais atingidos são os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. No cálculo do governo federal, devem ser atingidas cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA.
“O que corresponde a US$ 7,4 bilhões, isso considerando o período de 2024. Se considerarmos 2025, já com as tarifas, cai para 15%”, destacou o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias.
De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o governo Lula deverá adotar uma postura semelhante à que foi adotada quando Trump anunciou um primeiro tarifaço em julho de 2025. “O governo brasileiro não vai deixar os agricultores, os empresários e as famílias brasileiras na mão, nós vamos fazer uma avaliação sempre cuidadosa pelo compromisso de futuro e pelo compromisso fiscal”, disse.
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Lista de exceção
Apesar da aplicação das tarifas, os EUA apresentaram uma lista de exceção para produtos que são considerados essenciais para a cadeia de consumo americana, buscando evitar aumento nos preços internos, como aconteceu no tarifaço anunciado em 2025. Produtos como café, carne bovina, peixe, terras-raras e laranja ficarão fora do novo tarifaço.
De acordo com o governo Trump, a imposição da nova tarifa de 25% sobre as importações brasileiras tem como base uma investigação conduzida pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Segundo o órgão, o Brasil adota práticas consideradas “desleais, discriminatórias e irrazoáveis”, que impõem barreiras ao comércio e prejudicam empresas norte-americanas.

