O cenário político britânico vive um dia de profunda transformação nesta segunda-feira (20/7): Andy Burnham assume oficialmente o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, tornando-se o sétimo ocupante do posto em um intervalo de apenas uma década. O ex-prefeito da Grande Manchester substitui Keir Starmer, o que consolida uma rápida dança das cadeiras no comando do Partido Trabalhista e do país.
O rito de passagem do poder executivo terá como cenário principal o Palácio de Buckingham no horário do almoço. O novo líder trabalhista se deslocará até a residência real para comunicar formalmente ao Rei Chales III sua prontidão em formar um novo governo.
A audiência com o monarca ocorrerá logo após o discurso de despedida de Starmer, agendado para a manhã desta segunda em frente à tradicional residência oficial do número 10 de Downing Street.
Em seu primeiro pronunciamento oficial direcionado à nação como chefe de governo, Burnham focará em agendas de apelo popular e estabilidade institucional. O novo premiê assumirá o compromisso público de restaurar a confiança dos cidadãos na administração pública.
Além disso, prometerá implementar medidas econômicas imediatas para oferecer um alívio financeiro à população diante da crise global do custo de vida.
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Interlocutores da transição apontam que Burnham classificará sua nomeação como um momento crucial de “reflexão e determinação” para o Reino Unido. Embora o plano de governo completo ainda não tenha sido detalhado publicamente em sua totalidade, aliados afirmam que o novo primeiro-ministro preparou uma bateria intensa de anúncios e decretos de políticas públicas para serem implementados já nas suas primeiras semanas no cargo.
A mudança no comando encerra um ciclo de pouco mais de dois anos de Keir Starmer à frente do governo britânico. Starmer fará sua última declaração à nação como primeiro-ministro antes de deixar Downing Street em definitivo.
O desgaste de Starmer
O processo de desgaste do antigo premiê acelerou drasticamente após a vitória de Burnham na eleição parcial de Makerfield, que serviu como estopim para meses de crescentes pressões internas por sua renúncia.
Com a saída do Executivo, Starmer deve retornar ao Parlamento britânico para atuar nas bancadas de deputados comuns, representando o distrito de Holborn e St Pancras. O agora ex-premiê deixa como principal legado ter conduzido os trabalhistas a uma vitória histórica de 411 cadeiras em julho de 2024, revertendo em menos de cinco anos a pior derrota eleitoral sofrida pela legenda no pós-guerra, sob Jeremy Corbyn.
Apesar da vitória expressiva no passado recente, a gestão de Starmer acabou fragilizada por uma sucessão de crises e escândalos políticos. O governo cessante foi marcado por mais de uma dúzia de recuos em promessas importantes.
Entre as mudanças de postura mais criticadas estavam os cortes nos subsídios de aquecimento de inverno e o teto de benefícios sociais para famílias numerosas, além da condução de inquéritos sobre quadrilhas de exploração de menores.
O ok do Rei
Cumprindo as diretrizes da monarquia constitucional, Starmer recomendará formalmente ao monarca a nomeação de Burnham. A escolha do chefe de governo é uma prerrogativa do Rei, que oficializará o novo líder trabalhista ainda nesta manhã. Burnham se tornará o quarto primeiro-ministro do atual reinado e o segundo pertencente ao Partido Trabalhista a ser chancelado pelo atual chefe de Estado.
Para conduzir a cerimônia, o monarca viajou de sua residência em Highgrove, em Gloucestershire, rumo ao Palácio de Buckingham. A agenda prevê recepções individuais para a família Starmer e, na sequência, para Burnham e sua esposa, Marie-France Van Heel.
Os líderes políticos e seus familiares serão recepcionados na entrada de serviço do palácio devido à abertura sazonal da entrada principal para visitação pública de verão.
Os protocolos de segurança e logística palaciana foram organizados com precisão militar para evitar que as comitivas do governante que sai e do que entra se cruzem nas dependências reais.
Beija-mão
O ato formal de transição será registrado nos arquivos oficiais da realeza como o tradicional “beija-mão” (kissing of hands), selado com um aperto de mãos. Logo após o evento, o monarca dará sequência a uma extensa agenda de compromissos oficiais no interior do país.

