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O que é o Estreito de Bab el-Mandeb, rota comercial na mira do Irã

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 17 horas)
O que é o Estreito de Bab el-Mandeb, rota comercial na mira do Irã

Em meio à guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã, o regime islâmico pode ter como alvo um outro canal marítimo importante para o comércio mundial: o Estreito de Bab el-Mandeb, localizado na costa do Iêmen.

Mohammad Boroujerdi, atingo comandante da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e membro da Comissão de Segurança Nacional, afirmou nessa sexta-feira (17/7) que, assim como o Estreito de Ormuz, a rota pode ser bloqueada em reposta a ataques americanos contra o país persa, citado pela agência iraniana Tasnim.

Estreito de Bab el-Mandeb

Estreito de Bab el-Mandeb, na costa do Iêmen
Estreito de Bab el-Mandeb, na costa do Iêmen

O Estreito de Bab el-Mandeb (Portão das Lágrimas, em árabe), com 32 km de largura, divide a Ásia e a África. Ao nordeste, fica a costa do Iêmen, do Oriente Médio, e, ao sudoeste, as costas de Djibuti e Eritreia.

Estima-se que, pelo canal, passam cerca de 12% do comércio marítimo mundial, 25% do fluxo comercial de conteineres, além de entre 10% e 12% do petróleo global e 8% do comércio marítimo de gás natural liquefeito (GNL).

Para o economista e gestor de riscos Rodrigo Provazzi, o Estreito de Bab el-Mandeb é “um dos principais pontos de estrangulamento logístico do planeta”, e uma possível interrupção no canal afetaria “não apenas o fluxo de energia, mas cadeias globais de suprimentos inteiras”.

“O Estreito de Bab-el-Mandeb é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, conectando o Oceano Índico ao Mar Vermelho e, consequentemente, ao Canal de Suez. Por ele transitam grandes volumes de petróleo, derivados de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), além de contêineres com produtos manufaturados, eletrônicos, máquinas, autopeças, têxteis e bens de consumo que circulam entre a Ásia, a Europa e parte do Oriente Médio”, destacou Provazzi ao Metrópoles.

Impacto ao Brasil

O economista destaca que o impacto direto ao Brasil tende a ser limitado, pois a maior parte do nosso comércio exterior, com  Estados Unidos e América Latina, não depende desta rota.

Porém, ressalta que os impactos indiretos à economia podem ser significativos, pois um eventual fechamento aumentaria o custo da logística do transporte de diversos produtos, o que tende a pressionar os preços de petróleo, frete internacional e diversos insusmos importados utilizados no Brasil, principalmente vindos da Ásia e Europa.

“Do ponto de vista empresarial, o principal risco para o Brasil não é a interrupção do comércio em si, mas o aumento da volatilidade dos custos, dos prazos de entrega e da incerteza geopolítica global. Empresas com cadeias de suprimentos internacionais podem enfrentar dificuldades de abastecimento, necessidade de estoques maiores e pressão sobre margens”, disse o gestor de riscos.


Guerra Irã-EUA

  • A guerra entre Estados Unidos e Irã teve início em 28 de fevereiro, após ataques dos EUA e Israel que mataram o então líder supremo do Irã Ali Khamenei.
  • Em retaliação, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) fechou o Estreito de Ormuz, rota marítima pela qual 20% do petróleo mundial é transportado.
  • Após meses de guerra, EUA e Irã chegaram em um acordo preliminar em 17 de junho. O documento previa 60 dias de trégua para que os países resolvessem as questões divergentes para um fim definitivo do conflito, e uma reabertura gradual do Estreito de Ormuz para navegação comercial.
  • No dia 8 de junho, os países voltaram a trocar ataques, e o presidente americano Donald Trump declarou encerrado o cessar-fogo.
  • Desde então, os Estados Unidos têm atacado o Irã diariamente, e o país persa revida alvejando bases militares estadunidenses no Oriente Médio.
  • Os Estados Unidos retomaram o bloqueio naval contra navios ligados ao Irã e Trump afirmou que pretende tomar o controle do Estreito de Ormuz. O Irã rebate e afirma que a soberania da hidrovia é deles.

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Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian
Estreito de Ormuz, principal rota de comércio de petróleo do Oriente Médio
Imagem aérea do Estreito de Ormuz
Metrópoles
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Kevin Dietsch/Getty Images
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian
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Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian

Iranian Presidency/Anadolu via Getty Images
Estreito de Ormuz, principal rota de comércio de petróleo do Oriente Médio
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Estreito de Ormuz, principal rota de comércio de petróleo do Oriente Médio

Lara Abreu/ Arte Metrópoles
Imagem aérea do Estreito de Ormuz
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Imagem aérea do Estreito de Ormuz

Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2025

Houthis do Iêmen

Para um possível bloqueio da passagem, o Irã conta com o apoio dos Houthis, grupo islâmico armado do Iêmen, que controla partes do país desde 2014 e é aliado do regime xiita do Irã.

Os Houthis fazem parte do chamado “Eixo da Resistência” do Oriente Médio, uma aliança informal liderada pelo Irã e composta por grupos armados da região ideologicamente alinhados, como o Hezbollah, do Líbano e o Hamas, da Palestina.

Rodrigo Medina, chefe do Departamento de Relações Internacionais da Unifesp, conversou com o Metrópoles sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, a relação do Irã com os Houthis e a capacidade de bloqueio da hidrovia.

Para o professor, os Houthis teriam a capacidade de um possível bloqueio utilizando drones, minas navais e mísseis de cruzeiro, e uma operação no ponto mais apertado da rota, que tem cerca de 30km, poderia levar as companhias internacionais de seguro a anular a cobertura pelo transporte de conteineres, por exemplo.

Imagem colorida mostra grupo Houthis - Metrópoles
Houthis, grupo armado militante do Iêmen, é alinhado com o regime islâmico do Irã

Impacto na economia global

Medina avalia que o Estreito de Bab el-Mandeb, que implica na saída sul do canal de Suez, é a terceira passagem marítima mais importante para o fluxo comercial internacional.

Apesar de não afetar diretamente o comércio exterior brasileiro, um fechamento do canal teria implicações globais, avalia o professor.

“Uma primeira onda de impacto afetaria as potências centrais de capitalismo desenvolvido, sobretudo aquelas que manejam a logística do transporte internacional de bens de consumo e repercutiria na formação de preços de vários itens, principalmente aqueles que tem como um dos elementos definidores o valor do frete marítimo”, destaca.

Medina explica que um bloqueio da passagem afetaria também preços de combustíveis, “não apenas para o modal rodoviário, mas implicando diretamente na formação dos preços do querosene de aviação”.