A Justiça federal dos Estados Unidos determinou nesta segunda-feira (20/7) que a fusão entre a Warner Bros. e a Paramount seja suspensa pelos próximos 14 dias. O negócio bilionário, fechado em abril deste ano, foi acordado em mais de R$ 560 bilhões (cerca de US$ 110 bilhões).
A magistrada responsável pelo caso barrou a negociação sob o argumento de que a fusão poderia causar o aumento nos preços das assinaturas e a queda na qualidade dos filmes e programas de TV. Segundo a decisão, o monopólio violaria as leis federais de defesa do consumidor do país.





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Anna Barclay/Getty ImagesParamount ainda tenta comprar Warner Bros
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Warner Bros. é vendida por US$ 110 bilhões
- Os acionistas da Warner Bros. Discovery aprovaram em abril deste ano a venda do conglomerado de estúdios de cinema, plataformas de streaming e canais de TV para a Paramount Skydance por um valor total de US$ 110 bilhões.
- A megafusão bilionária ocorreu após a Paramount vencer uma disputa contra a Netflix, que acabou desistindo do negócio por razões financeiras.
- Caso seja validada por órgãos reguladores internacionais, a nova gigante do entretenimento controlará os estúdios Warner Bros. Pictures e marcas icônicas como HBO, CNN e DC Comics.
- Apesar do avanço financeiro, o acordo enfrenta forte oposição de profissionais de Hollywood, que alertam para possíveis demissões e a diminuição da concorrência no setor.
Segundo a imprensa internacional, a Paramount espera receber uma decisão favorável da Justiça até o início de setembro. Se o acordo não for concluído até o dia 30 de setembro, a empresa começará a dever milhões de dólares por dia aos investidores da Warner Bros.
Compra da Warner Bros. ameaça o futuro do cinema
Para justificar a suspensão da fusão, os magistrados alegam que a venda da Warner Bros. pode afetar a concorrência nos mercados de TV a cabo e cinema no país, ao combinar duas das três maiores programadoras de TV a cabo e duas das cinco maiores distribuidoras de filmes.
A Paramount usou o sucesso de outras produtoras — como a A24 e a Amazon MGM, responsáveis pelas produções do Prime Video — para argumentar que o mercado cinematográfico é mais competitivo e dinâmico do que o processo estadual faz parecer.
A empresa argumenta ainda que o mercado de TV a cabo está em declínio e que, portanto, o tribunal não deve se basear em estimativas sobre a concentração de mercado.
Por fim, a Paramount alega que a fusão criaria um concorrente mais forte no mercado de streaming, se opondo a empresas supostamente dominantes como Netflix e Amazon. A juíza responsável pela decisão, porém, entendeu que ganhos em um mercado não poderiam ser usados para justificar os prejuízos à concorrência em outro.
“O Tribunal observa separadamente que não pode aceitar o argumento dos Réus de que a transação produzirá eficiências no mercado de streaming”, escreve a juíza federal Araceli Martinez-Olguin na decisão. “Os tribunais dos estados rejeitaram expressamente e repetidamente a defesa de que uma fusão contestada resultará em eficiências econômicas acessórias à concorrência no mercado relevante”, acrescentou.

