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Com candidatura barrada, Silvia Waiãpi acusa Furlan e PL de racismo

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Com candidatura barrada, Silvia Waiãpi acusa Furlan e PL de racismo

A ex-deputada federal Silvia Waiãpi (PL-AP) disse que teve a candidatura à Câmara dos Deputados barrada por Dr. Furlan (PSD), pré-candidato ao governo do Amapá, que oficializou a coligação com o Partido Liberal, o Novo e o Podemos nas convenções estaduais nesta segunda-feira (20/7).

A ex-deputada bolsonarista alega ser vítima de racismo dentro do diretório e afirmou que o PL local escolheu beneficiar a aliança com Furlan que “nem brasileiro é”, em referência ao fato do ex-prefeito de Macapá ter nascido na Costa Rica.

O Partido Liberal afirma que a decisão foi tomada por conta de condenação na Justiça. Em abril deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a condenação do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá que tornou Silvia Waiãpi inelegível por uso irregular de recursos públicos de campanha nas eleições de 2022. Ela é acusada de usar R$ 9 mil para fazer uma harmonização facial.

Ao Metrópoles, Waiãpi afirmou que o PL tem pré-candidatos com condenações. “Não nego que tem um processo que está em primeira instância e em fase de recurso. Se a gente fosse cercear qualquer candidato sem trânsito em julgado, seria antecipar uma condenação. Por exemplo, um dos candidatos é o Vinicius Gurgel, que tem vários processos, a única a ser barrada fui eu, uma mulher indígena”, disse ao Metrópoles.

O presidente do PL Nacional, Valdemar Costa Neto, enviou à reportagem uma análise da assessoria jurídica sobre a situação eleitoral de Silvia Waiãpi, em que diz que a condenação implica em oito anos de inelegibilidade, contados a partir da eleição de 2022, como é determinado na Lei da Ficha Limpa.

“Portanto, em razão do julgado proferido pelo colegiado do TRE/AP e a manutenção do acórdão perante o colegiado do TSE, tem-se que a pretensa candidata encontra-se inelegível pelo prazo de 8 (oito) anos a contar da eleição de 2022”, diz o parecer

Ao Metrópoles, Valdemar disse que a decisão do diretório está correta e que “a decisão é do TSE e a lei é clara”.

Denúncia contra Furlan

Ao Metrópoles, Waiãpi disse  que entregou a documentação necessária para concorrer ao diretório em 17 de julho e que foi comunicada somente durante a convenção de que o nome dela não foi incluído na nominata. No local, gravou vídeos com Furlan, onde o acusa de interferir na decisão.

Segundo ela, o pré-candidato ao governo decidiu quem seria candidato na coligação e teria a procurado para se justificar, contato que ela recusou. Na convenção, Waiãpi chamou Furlan de “traidor”.

A ex-deputada alega que o diretório do PL teria se recusado a entregar uma cópia da ata da convenção. “Estive com o presidente Valdemar Costa Neto e com o deputado Sóstenes Cavalcante [líder da bancada] em 25 de maio e na reunião ambos telefonaram para Gurgel para garantir meu nome na nominata”, disse a ex-deputada.

Silvia Waiãpi disse que o PL deveria tê-la comunicado da negativa antes do prazo para troca de partido.

O Metrópoles procurou o pré-candidato ao governo Dr. Furlan, o presidente do PL no Amapá, Alex Pereira, para se manifestarem. Até a publicação desta reportagem não houve retorno, mas será atualizada em caso de resposta.

Quem é Silvia Waiãpi 

Silvia Nobre Waiãpi foi eleita em 2022 para deputada federal. Foi a primeira indígena a se tornar oficial do Exército e a primeira a ser eleita. É aliada e apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tendo feito parte do governo de transição em 2018.