Em sua fase decisiva, os jogos eliminatórios da Copa do Mundo passam a ter mais chance de decisão na prorrogação, um tempo adicional de 30 minutos. Apesar de ser mais um período para os jogadores tentarem obter a vitória para sua equipe, a minutagem deixa os atletas mais propensos ao erro e até a ocorrência de lesões.
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Segundo especialistas entrevistados pelo Metrópoles, para manter o físico e o mental do atleta preservados até o final, são realizados diversos trabalhos para melhorar as capacidades aeróbica e anaeróbica do atleta, além de diminuir prejuízos em seu raciocínio causados pela fadiga extrema.
“Os 30 minutos de prorrogação representam um dos maiores desafios físicos do futebol. Nessa fase, o atleta já chega com boa parte das reservas de energia consumidas. Para prepará-los, muitos treinamentos simulam situações reais de jogo para que o organismo se adapte ao desgaste físico e mental das partidas decisivas”, explica o médico do esporte Anderson Clayton Sant’Anna, do Paraná Futebol Clube e da clínica INKI.
Segundo Sant’Anna, há estudos demonstrando que, ao final dos 120 minutos (90 minutos do tempo normal + 30 minutos do tempo adicional), os estoques de glicogênio muscular, que funcionam como o principal “combustível” dos músculos, podem cair para cerca de metade do que havia no início da partida.
Com os estoques prejudicados, o jogador passa a ter mais dificuldade de correr, fazer arrancadas e sprints e mudar de direção. Além disso, o mental também é afetado, tornando a tomada de decisão mais deficitária, o que eleva as chances de erros técnicos e risco de lesões musculares.
“O risco de lesões aumenta porque o cansaço reduz a capacidade dos músculos de estabilizar e proteger as articulações. Com isso, cresce a incidência de lesões musculares, como estiramentos, além de entorses e lesões ligamentares, especialmente em movimentos de aceleração, desaceleração, mudanças bruscas de direção e contato físico”, diz o ortopedista e médico do esporte Jorge Oliva Júnior, do Hospital DF Star, em Brasília.
Outros fatores que influenciam a resistência dos atletas na prorrogação
De acordo com os especialistas, a preparação para um jogo com possibilidades de prorrogação vai além de somente de treinos físicos. Entre outros fatores que podem influenciar a capacidade de resistir ao tempo adicional, estão:
- Alimentação: os estoques de glicogênio muscular dependem principalmente do consumo adequado de carboidratos antes da partida;
- Uso de bebidas bebidas esportivas e géis de carboidrato: os artifícios utilizados durante a partida podem ajudar a retardar a fadiga e preservar o rendimento nos minutos finais;
- Hidratação: pequenas perdas de líquido podem comprometer o desempenho físico e a concentração;
- Qualidade do sono: boas noites de sono anteriores à partida ajudam a diminuir o cansaço;
- Fatores climáticos: caso esteja mais quente, o cansaço dos atletas podem ser exacerbado.

Estratégias para diminuir o desgaste durante a partida
Para administrar o desgaste dos jogadores pensando em uma possível prorrogação, Sant’Anna aponta que as comissões técnicas se baseiam em dispositivos presentes nos tops de monitoramento que os jogadores utilizaram o jogo inteiro. Por meio deles, são fornecidos dados de GPS, frequência cardíaca e indicadores de fadiga.
As informações são fundamentais para nortear quais jogadores estão mais cansados e devem ser substituídos. “Colocar jogadores descansados na reta final pode aumentar a intensidade da equipe justamente quando o adversário já apresenta sinais de desgaste”, conta Sant’Anna.

