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Motta fecha 1º semestre próximo de Lula e evita derrotas ao Planalto

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Motta fecha 1º semestre próximo de Lula e evita derrotas ao Planalto

A Câmara dos Deputados inicia o recesso parlamentar com Hugo Motta (Republicanos-PB) em um cenário bem diferente daquele que marcou seu primeiro ano no comando da Casa.

Depois de enfrentar críticas à articulação política, derrotas e desgastes simultâneos com o Planalto e a oposição, o deputado encerra o semestre mais próximo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fortalecido entre os líderes partidários e mais blindado internamente.


De alvo de críticas a aliado de Lula

  • Motta encerra o semestre mais próximo de Lula, fortalecido entre os líderes partidários e mais blindado no comando da Câmara;
  • O bloco mais próximo ao presidente da Casa passou a reunir cerca de 275 deputados, com apoio de líderes do Centrão;
  • A Câmara aprovou o PL Antifacção e a PEC da Segurança sem o referendo sobre a redução da maioridade penal;
  • Motta conduziu a aprovação do fim da escala 6×1 em pouco mais de 80 dias, com amplo respaldo do plenário.

Motta passou a aparecer em 2026 com frequência em agendas ao lado de Lula e, em 13 de janeiro, participou da sanção da segunda lei de regulamentação da reforma tributária e do lançamento da plataforma digital do novo sistema.

Em 4 de fevereiro, esteve no jantar oferecido pelo presidente a ministros e líderes da Câmara na Granja do Torto, encontro de cerca de três horas em que Lula agradeceu publicamente o empenho do deputado na aprovação de projetos do governo.

O presidente da Câmara também acompanhou Lula, em 12 de maio, no lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, com previsão de R$ 11 bilhões em financiamentos, e, em 20 de maio, no balanço dos 100 primeiros dias do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio.

As aparições deram dimensão pública a uma relação que passou a ser cultivada também em almoços, reuniões reservadas e negociações sobre as prioridades do Executivo no Congresso.

A aproximação com o Planalto se deu ao mesmo tempo em que Motta recompôs sua sustentação dentro da Câmara. Os líderes do MDB, PP, União Brasil e Republicanos, identificados como a “tropa de choque” do presidente da Casa, permaneceram à frente das bancadas, e o bloco mais próximo do deputado paraibano passou a reunir cerca de 275 parlamentares.

Em abril, Motta ainda demonstrou força ao assegurar a eleição de Odair Cunha (PT-MG) para o Tribunal de Contas da União (TCU), com 303 votos, contra 96 de Elmar Nascimento (União-BA), apoiado por setores da oposição.

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Ao longo do semestre, o deputado recompôs a base, ganhou o respaldo dos líderes e se blindou no comando da Casa
A aproximação com o presidente da República marcou a articulação de pautas como a PEC da Segurança Pública e o fim da escala 6x1.
Presidentes da Câmara e do Senado adotaram estratégias distintas nas negociações com o governo sobre pautas de impacto fiscal
Metrópoles
Presidente da Câmara chegou a 2026 pressionado por críticas à articulação política e pelos desgastes acumulados no primeiro ano de mandato
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Presidente da Câmara chegou a 2026 pressionado por críticas à articulação política e pelos desgastes acumulados no primeiro ano de mandato

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Ao longo do semestre, o deputado recompôs a base, ganhou o respaldo dos líderes e se blindou no comando da Casa
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Ao longo do semestre, o deputado recompôs a base, ganhou o respaldo dos líderes e se blindou no comando da Casa

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
A aproximação com o presidente da República marcou a articulação de pautas como a PEC da Segurança Pública e o fim da escala 6x1.
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A aproximação com o presidente da República marcou a articulação de pautas como a PEC da Segurança Pública e o fim da escala 6x1.

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Presidentes da Câmara e do Senado adotaram estratégias distintas nas negociações com o governo sobre pautas de impacto fiscal
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Presidentes da Câmara e do Senado adotaram estratégias distintas nas negociações com o governo sobre pautas de impacto fiscal

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Pautas do semestre

Depois de um primeiro ano desafiador, Motta começou o calendário legislativo com foco na segurança pública. Em fevereiro, a Câmara aprovou a terceira versão do Projeto de Lei (PL) Antifacção.

A proposta, originária do Ministério da Justiça, foi profundamente modificada ao passar pela Câmara em 2025, sendo um dos palcos de embates entre Motta e o governo.

No Senado, passou por mudanças mais favoráveis ao governo, como a retirada de trechos como o veto a presos de votarem nas eleições e a inserção de uma taxação maior sobre casas de apostas online- as bets. Ambos foram alterados pelo relator na Câmara, Guilherme Derrite (PP-SP), indicado por Motta.

Apesar das divergências, a relação com o governo Lula continuou a se estreitar. No mês seguinte, a Câmara concluiu a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública sem incluir, por articulação de Motta, a realização de um referendo sobre a redução da maioridade penal.

A PEC que constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e amplia as competências da União no combate ao crime organizado, ao mesmo tempo em que faz uma maior distribuição do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional para estados e Municípios.

6×1

Com a pauta da segurança pacificada, Motta centralizou os esforços da Câmara para destravar a PEC do fim da escala 6×1, que se tornaria o principal marco da sua gestão.

A redução do teto constitucional da jornada de trabalho das atuais 44 para 40 horas semanais e dois dias de descanso teve uma tramitação fugaz de pouco mais de 80 dias entre dar entrada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e ser aprovada no plenário em 27 de maio.

A construção da proposta também mostrou como Motta passou a administrar as divergências com o governo sem permitir que elas interrompessem a tramitação.

Em almoço no Palácio do Planalto, em 14 de abril, Lula defendeu o envio de um projeto próprio do Executivo, enquanto Motta manteve a prioridade da PEC que já estava na Câmara. Dez dias depois, o presidente da Casa criou a comissão especial para analisar o mérito da proposta.

O comando do colegiado ficou com o deputado Alencar Santana (PT-SP), uma escolha que aproximou o governo da condução da matéria, enquanto a relatoria foi entregue a Leo Prates (Republicanos-BA).

Na reta final, Lula e Motta voltaram a se reunir, em 25 de maio, para alinhar os últimos pontos do texto, principalmente a transição para a jornada de 40 horas semanais e os dois dias de folga. O encontro foi realizado dois dias antes da votação da proposta pelo plenário da Câmara.

O ritmo ditado pelo presidente da Câmara teve respaldo de Lula e dos líderes da sua base, em meio a duras críticas de setores produtivos e de movimentações difusas da oposição, cuja maioria discordou do mérito, mas pouco pôde fazer para questionar uma pauta de tamanho apelo popular.

A votação se deu com folga: foram 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 votos no segundo turno. Ao final, Motta disse que “avanços civilizatórios sempre enfrentam resistências” e comparou o fim da 6×1 à adoção da carteira de trabalho e à abolição da escravidão.

“O Brasil optou pelo avanço, fruto de nossas decisões políticas. A Câmara dos Deputados cumpriu o seu papel constitucional com coragem. Debatemos. Dialogamos. Divergimos. Construímos consensos possíveis e contamos muito com o apoio do presidente Lula nessa jornada. Tenho muita honra e felicidade de presidir a Câmara dos Deputados neste momento histórico”, disse.

Pós

A interlocução em torno da 6×1 continuou mesmo depois da aprovação da PEC.

Em junho, Lula retirou a urgência constitucional do projeto próprio do governo sobre o tema como parte de um acordo com Motta para conter, na Câmara, propostas de alto impacto fiscal aprovadas pelo Senado. A avaliação do Planalto era de que havia, naquele momento, maior capacidade de diálogo com o presidente da Câmara do que com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

O mérito não só colocou Motta mais perto do Planalto, como também amenizou a imagem criada pelos desgastes do primeiro ano no comando da Câmara, em que a Casa votou medidas impopulares, como a PEC da Blindagem, e entrou em rota de colisão com Lula ao iniciar a derrubada do aumento no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e aprovar a dosimetria que beneficiaria Jair Bolsonaro (PL).

Pressão sob Motta em 2025

O ano de 2025 terminou especialmente duro para Motta. Além das críticas pela articulação e pela condução de duas ocupações da Mesa Diretora, o presidente da Câmara foi cobrado por impor pautas sem acordo prévio, não conseguiu reunir votos para cassar Carla Zambelli (PL-SP) e ouviu críticas até do seu antecessor e principal padrinho político, Arthur Lira (PP-AL).

Na ocasião, Lira afirmou, em um grupo de WhatsApp, que era necessário “reorganizar a Casa”, enquanto o então líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), classificou a fragilização de Motta como um “fato”.

O cenário mudou em 2026. Com os principais líderes do Centrão mantidos nos postos, a saída de Lindbergh do comando da bancada do PT, o apoio do governo às principais pautas e a ausência de uma agenda com o mesmo potencial de desgaste da PEC da Blindagem, Motta passou a ser descrito por aliados como mais forte e maduro.

Líderes ouvidos pelo Metrópoles avaliaram que o deputado superou as principais “pedreiras” e passou a ter um caminho mais livre para conduzir a Câmara.

Se em 2025 Motta participou da derrota da Fazenda sobre o IOF, em 2026 o presidente da Câmara se tornou um aliado próximo da equipe econômica. O deputado paraibano segurou uma das pautas-bomba listadas pelo ministro Dario Durigan como alerta para as contas públicas.

O projeto que estabelece o financiamento de dívidas rurais, aprovada no Senado e mandada de volta à Câmara em julho, poderia implicar em um rombo de R$ 140 bilhões em 10 anos. Sustentado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o projeto não avançou na Câmara. No lugar, Motta e o governo acordaram por uma Medida Provisória (MP) no lugar.