Uma mulher de 65 anos procurou atendimento médico após sentir dor no peito e falta de ar nos dias seguintes ao casamento da filha. Inicialmente, os médicos suspeitaram de um infarto, mas os exames revelaram uma condição rara conhecida como síndrome do coração feliz. O caso foi publicado em 7 de julho na revista Oxford Medical Case Reports.
A síndrome do coração feliz é uma forma da cardiomiopatia de Takotsubo, doença que provoca uma alteração temporária no funcionamento do coração após uma emoção intensa.
Embora a versão mais conhecida seja desencadeada por situações negativas e receba o nome de síndrome do coração partido, emoções extremamente positivas também podem provocar o problema.
No caso descrito, a paciente recebeu tratamento e se recuperou completamente.
O que aconteceu
A mulher apresentava dor no peito havia alguns meses, mas os sintomas se intensificaram nos três dias seguintes às comemorações do casamento da filha.
Ao chegar ao hospital, os exames indicavam redução do fluxo sanguíneo para o coração, um achado comum em pessoas com suspeita de infarto. No entanto, os médicos não encontraram obstruções nas artérias.
Em vez disso, identificaram uma alteração no formato do ventrículo esquerdo, principal câmara responsável por bombear sangue para o corpo. Essa mudança reduzia temporariamente a capacidade do coração de funcionar normalmente.
O que é a síndrome do coração feliz
A cardiomiopatia de Takotsubo ocorre após situações de forte carga emocional. Na maioria dos casos, ela é desencadeada por acontecimentos como luto, separações ou outros eventos estressantes, situação conhecida como síndrome do coração partido.
Em uma parcela muito menor dos casos, porém, o gatilho é uma emoção positiva intensa, como um casamento, o nascimento de um filho ou outra ocasião de grande felicidade. Nesses episódios, a condição recebe o nome de síndrome do coração feliz.
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Segundo os autores, acredita-se que as duas formas estejam relacionadas a uma descarga intensa de hormônios do estresse, embora ainda não esteja totalmente claro por que emoções tão diferentes provocam alterações semelhantes no coração.
Condição é rara
Os pesquisadores destacam que a cardiomiopatia de Takotsubo representa entre 1% e 3% dos casos inicialmente tratados como infarto, mas sem obstrução das artérias coronárias. Dentro desse grupo, apenas cerca de 4% dos casos conhecidos são desencadeados por emoções positivas, o que torna a síndrome do coração feliz uma condição incomum.
Apesar de geralmente ser reversível, a doença não deve ser considerada inofensiva. Em alguns pacientes, ela pode causar complicações graves e, em casos raros, levar à morte.
Segundo os autores, reconhecer essa possibilidade é importante para que pacientes com sintomas compatíveis recebam o diagnóstico e o tratamento adequados, mesmo quando o episódio tiver sido desencadeado por um momento de grande alegria.

