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Médico Clóvis Puttini, destaque da pediatria do DF, morre aos 72 anos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Médico Clóvis Puttini, destaque da pediatria do DF, morre aos 72 anos

Morreu, aos 72 anos, nesta sexta-feira (17/7), o médico pediatra Clóvis Roberto Puttini (foto em destaque). Referência na pediatria do Distrito Federal, Clóvis estava internado havia quase um ano no Hospital Brasília, onde tratava um quadro de saúde decorrente de uma sequência de cirurgias no intestino.

Natural de Minas Gerais, Clóvis chegou a Brasília aos 9 anos, acompanhado dos pais e dos cinco irmãos. O médico deixa a esposa, sete filhos, oito netos e duas enteadas.

Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) manifestou profundo pesar pela morte do profissional e destacou a trajetória construída ao longo da carreira com atuação em unidades de terapia intensiva pediátrica e neonatal.

“Seu trabalho foi pautado pela competência técnica, pela sensibilidade no cuidado aos pacientes, pela atenção às famílias e pelo respeito aos colegas de profissão”, afirmou o conselho.

O CRM-DF também prestou homenagem à memória do médico e manifestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas e a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele.

Carreira

Em 1975, Clóvis Roberto Puttini ingressou no curso de medicina da Universidade de Brasília (UnB), onde iniciou a trajetória que o transformaria em um dos nomes conhecidos da pediatria na capital.

Ao longo da carreira, atuou em unidades de terapia intensiva pediátrica e neonatal e passou por hospitais públicos e privados do DF, como o Hospital Universitário de Brasília (HUB), o Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e o Hospital Anchieta.

A escolha pela pediatria veio por afinidade. Em entrevista concedida ao Metrópoles durante a internação, Clóvis explicou como surgiu o interesse pela especialidade.

“Fui me agraciando pela profissão e pelas crianças […] É uma especialidade que exige muita precisão. Aí voltei para a pediatria generalista”, explicou.

Ao longo da trajetória profissional, Clóvis atendeu crianças em hospitais públicos e privados, como o Hospital Universitário de Brasília (HUB), Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e o Hospital Anchieta, unidade de saúde da rede privada, também em Taguatinga.

Ao relembrar os anos de trabalho, o médico fala com carinho dos “pacientinhos” e da intensidade da profissão: “Tem aqueles que a gente cria mais apego, que exigem mais dedicação. São histórias maravilhosas, mas também com um pouco de sofrimento, porque a vida não é uma mágica. Nós somos mensageiros”.

Internação

Os problemas de saúde de Clóvis tiveram início em 2023, quando o médico foi diagnosticado com gastroenterocolite, perfuração intestinal e uma infecção grave, quadro que exigiu a retirada de parte do intestino grosso. Depois de passar cerca de um ano em casa com ileostomia, ele retornou ao hospital para realizar a cirurgia de reversão.

O procedimento, no entanto, gerou complicações com o surgimento de fístulas. Desde então, permaneceu internado no Hospital Brasília. Ao falar sobre o período de internação, Clóvis dizia que o maior desafio era o tempo no hospital.

“A parte mais difícil é o tempo. A dieta líquida, a nutrição parenteral pela veia, a enteral”, contou. Ainda assim, faz questão de destacar o cuidado recebido: “Desde que eu cheguei aqui, estou sendo muito bem cuidado”.

“Já estive em situações extremas, já estive no biquinho do urubu. Teve médico que falou ‘hoje ele vai’, e eu não fui. O plano de Deus está marcado e a gente não define quando”, disse.

Relação com a família

Durante a internação, Clóvis também enfrentou a perda de um irmão mais velho, que morreu no mesmo hospital, em dezembro.

Em fevereiro, o pediatra realizou um desejo antigo. A equipe do Hospital Brasília organizou uma saída para uma sessão de cinema, acompanhada por uma filha e uma enteada. O filme escolhido foi Tom e Jerry, que trouxe lembranças dos momentos em que levava os filhos ao cinema.

“Um ano enfurnado no hospital sem ver o céu direito… Foi bom sair um pouco, me divertir. Se pudesse, faria todo mês”, comentou sobre a sessão. “Eu sempre levei as crianças para ver desenho, aventura. Gosto de aventura, de ação, mas não gosto de filme de ‘matação’”.

Entre os favoritos, citou Caminhando nas Nuvens. “É muito bonitinho, um romance.”

A sessão especial não foi o único gesto de carinho da equipe. Em outro momento, após uma confissão de desejo do paciente, médicos e profissionais da assistência organizaram uma noite de pizza.

Ao fim da conversa, Clóvis resumiu o sentimento que carrega hoje: “Eu só tenho a agradecer a quem está cuidando de mim, zelando pelo meu bem-estar”.

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