A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) se manifestou, nesta sexta-feira (17/7), sobre a morte do engenheiro Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, aluno de uma escola de aviação em Ponta Grossa (PR).
O jovem morreu após participar de um trote de comemoração pela conclusão do primeiro voo solo, quando recebeu um “banho” com óleo utilizado em motores de aeronaves.
Em nota, a Anac alertou que produtos químicos aeronáuticos, como óleos e lubrificantes de aviação, não devem, em hipótese alguma, entrar em contato com a pele, conforme orientações presentes nos próprios rótulos desses materiais. “O uso desses produtos durante rituais de celebração traz riscos à saúde das pessoas, podendo inclusive levar a óbito”, afirmou a agência.



Entenda o caso
- O caso ocorreu na noite de quinta-feira (16/7). Gustavo havia acabado de concluir o primeiro voo solo, marco na formação de pilotos, quando participou do ritual. Após receber o óleo sobre o corpo, ele sofreu uma reação alérgica e morreu.
- A vítima sofreu uma reação anafilática, um tipo grave de alergia. Ele teve uma crise convulsiva seguida de três paradas cardiorrespiratórias. As duas primeiras foram revertidas, mas ele não resistiu à terceira.
- Ele chegou a ser atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi levado ao hospital, mas não resistiu e morreu na unidade de saúde
- No “trote”, os professores costumam despejar no pescoço do aluno óleos usados em motores de aeronave, como se fosse um “batismo” na aviação.
A Anac também reforçou o apelo para que escolas de aviação, aeroclubes e demais instituições de instrução revejam esse tipo de tradição.
“Na aviação, a segurança vem sempre em primeiro lugar. Por isso, é essencial repensar ritos de celebração de conclusão de etapas da formação e garantir que qualquer manifestação seja conduzida de forma responsável, sem expor alunos, instrutores ou terceiros a risco”, destacou.
Escola lamenta morte
Em nota publicada nas redes sociais, o Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa lamentou a morte do aluno e informou que não comentará o caso enquanto as investigações estiverem em andamento.
Segundo a instituição, a decisão foi tomada em respeito à memória de Gustavo, aos familiares e ao trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos.
Leia também
Instrutor foi preso e liberado após pagar fiança
De acordo com o delegado Lucas Petry, responsável pela investigação, o óleo foi lançado por um instrutor da escola durante a comemoração. Em depoimento, ele confirmou ter jogado a substância em Gustavo e afirmou que o procedimento costuma ser feito “do pescoço para baixo”.
O instrutor se apresentou espontaneamente à Polícia Civil (PCPR), foi preso em flagrante por homicídio culposo, prestou depoimento e foi liberado após pagar fiança de R$ 3 mil.
A identidade dele não foi divulgada.
A corporação informou que, até o momento, não há indícios de que o suspeito tenha agido com intenção de provocar a morte da vítima.
A investigação busca esclarecer as circunstâncias do caso, incluindo a composição da substância utilizada, a quantidade aplicada, as partes do corpo atingidas e se o contato com o produto teve relação direta com a morte.
Também foram solicitados exames necroscópico, toxicológico e químico-pericial para confirmar a causa do óbito. Além disso, a polícia deve analisar imagens, documentos e ouvir testemunhas, participantes do ritual e familiares de Gustavo.
Íntegra da nota:
“A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) lamenta profundamente o falecimento do aspirante a piloto Gustavo Henrique Lara, ocorrido após um ritual comemorativo realizado em uma escola de aviação, na cidade de Ponta Grossa (PR), na última quinta-feira (16). A Agência se solidariza com familiares, amigos e a todos que conviviam com o jovem.
A Anac alerta que produtos químicos aeronáuticos, como óleos e lubrificantes de aviação, não devem, em hipótese alguma, ter contato com a pele, conforme orientam os rótulos desses materiais. O uso desses produtos durante rituais de celebração traz riscos à saúde das pessoas, podendo inclusive levar a óbito.
A Agência reitera a escolas de aviação, aeroclubes e demais organizações de instrução que, na aviação, a segurança vem sempre em primeiro lugar. Por isso, é essencial repensar ritos de celebrações de conclusão de etapas da formação e garantir que qualquer manifestação seja conduzida de forma responsável, sem expor alunos, instrutores ou terceiros a risco.
A Anac acompanha o caso e reforça sua confiança nas autoridades responsáveis pela apuração dos fatos”

