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Tarifaço dos EUA faz Tesouro Direto pagar mais: veja o que muda

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Tarifaço dos EUA faz Tesouro Direto pagar mais: veja o que muda

Quem pretende aplicar dinheiro no Tesouro Direto encontrou títulos pagando mais na manhã desta quinta-feira (16/7). As taxas subiram após os Estados Unidos confirmarem a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, medida que aumentou a cautela dos investidores e pressionou os juros de longo prazo no Brasil.

Na prática, quando as taxas dos títulos sobem, os novos compradores conseguem travar uma rentabilidade maior. Em contrapartida, quem já possui os papéis pode ver oscilações negativas nos preços no curto prazo por causa da marcação a mercado.

Os movimentos desta quinta ocorrem após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) oficializar, na noite anterior, a cobrança da sobretaxa sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho. O Brasil se tornou o primeiro país atingido pela nova rodada de tarifas anunciada pelo governo americano.

Entre os títulos atrelados à inflação, as altas foram generalizadas. O Tesouro IPCA+ 2032 passou de IPCA mais 8,09% para IPCA mais 8,13% ao ano. Já o IPCA+ 2040 avançou de 7,53% para 7,57%, enquanto o IPCA+ 2050 passou de 7,26% para 7,29%.

Nos papéis prefixados, o Tesouro Prefixado 2032 subiu de 14,39% para 14,41% ao ano. O maior avanço ocorreu no Prefixado com Juros Semestrais 2037, cuja taxa passou de 14,43% para 14,48%. O Prefixado 2029 permaneceu praticamente estável, em 14,06%.

O aumento dos rendimentos acontece em um momento de maior incerteza sobre os impactos econômicos da disputa comercial. Embora a medida dos EUA não afete diretamente o mercado de títulos públicos, investidores costumam exigir retornos maiores quando enxergam riscos adicionais para a atividade econômica, as contas públicas ou o ambiente de negócios.

Ao mesmo tempo, o governo americano ampliou a lista de produtos brasileiros isentos da nova tarifa. Entraram na relação itens como: mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e aço, produtos do mar, determinados produtos de madeira, couros e medicamentos. Continuam fora da cobrança produtos que já haviam sido poupados anteriormente, como: carne bovina, café, laranja e suco de laranja.

Por outro lado, pedidos de isenção para setores, como vestuário, calçados e máquinas agrícolas e industriais, foram rejeitados.

Além do noticiário comercial, os investidores também acompanham os desdobramentos políticos da medida. Uma pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira (16/7), aponta que a maioria do eleitorado brasileiro responsabiliza o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela sobretaxação aos produtos brasileiros. Dos consultados, 51% concordam com a versão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que a reunião do parlamentar com Trump teria motivado o novo tarifaço.

O movimento de alta dos juros não ficou restrito ao Brasil. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries também avançavam nesta quinta, enquanto as bolsas operavam em leve queda, pressionadas principalmente pelas ações do setor de semicondutores.

Para o investidor, o resultado é uma fotografia relativamente rara dos últimos meses: títulos públicos voltando a oferecer remunerações mais elevadas em praticamente toda a curva, tanto nos papéis prefixados quanto naqueles protegidos pela inflação.

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