O secretário de Saúde do Distrito Federal, Juracy Lacerda, negou, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (16/7), que a estrutura da rede pública esteja sucateada. A declaração ocorre após as mortes de duas gestantes durante os partos no Hospital Regional de Samambaia (HRSam) e de uma bebê de 5 meses depois de uma extubação acidental na transferência entre hospitais da rede pública.
“Sabemos das dificuldades. Hospital que é porta aberta, vai ter dificuldades. Mas a gestão está aí justamente para melhorar e viabilizar esses atendimentos”, afirmou.
“Temos uma equipe médica de excelência que está aí para atender a população, principalmente quando no Hospital Regional de Samambaia, [onde] temos uma equipe altamente capacitada. Então peço que a população não tenha receio de utilizar esse hospital. Estamos sim com a equipe pronta para melhor atendê-los”, declarou o gestor.
Durante a entrevista coletiva, Juracy Lacerda também anunciou que a pasta trabalha para unificar o prontuário dos pacientes. Atualmente, nem todos os sistemas da rede pública são integrados.
“Esse passo está sendo desenhado aqui, já é um processo que está avançado e que nós esperamos, futuramente, ter um prontuário único aqui para todos os nossas unidades do Distrito Federal”, afirmou.
Questionado sobre a ausência de acesso aos dados do pré-natal, tema levantado após a morte de Maria Aparecida Galdino dos Santos, 25 anos, e Maria Graciana Andrade Alves, 36 anos, o secretário negou o fato.
“É importante ressaltar que a informação está disponível para o profissional de saúde. Os nossos servidores têm acesso ao sistema de Atenção Primária para, justamente, ver todas essas informações. Além disso, os servidores têm acesso ao cartão de pré-natal para subsidiar a nossa equipe médica”, acrescentou.
O secretário também disse que as famílias estão sendo acompanhadas pelas equipes multidisciplinares da rede.
“Diante de eventos com desfecho desfavorável, nossa equipe multidisciplinar atua desde o momento do ocorrido. No caso de uma gestante, por exemplo, o atendimento não se restringe à equipe médica, mas envolve diversos profissionais. Oferecemos apoio psicológico às famílias, seguindo o padrão de conduta esperado de nossos servidores”, acrescentou.
Mortes suspeitas na rede pública
Nos últimos dias, mortes ocorridas na rede pública de Saúde se tornaram alvo de investigação por suspeita de negligência.
O primeiro caso foi registrado em 6 de julho, quando uma bebê de 5 meses morreu após ser extubada acidentalmente durante o transferência do Hospital Regional de Planaltina (HRP) para o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB). O caso veio à tona após a denúncia da família.
Em relação a morte da bebê, o secretário de Saúde, Juracy Lacerda, afirmou que a pasta instaurou uma investigação rigorosa e, que se for confirmado, que a extubação ocorreu durante o transporte, a empresa terceirizada responsável pelo serviço, terá o contrato rescindido.
Já a morte Maria Graciana Andrade Alves, 36 anos, ocorreu em 10 de julho, no Hospital Regional de Samambaia. A mulher morreu durante o trabalho de partido.
No dia 12, um homem, identificado como Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, morreu enquanto aguardava por atendimento no pronto-socorro do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). A morte aconteceu após ele sofrer um mal súbito na entrada do hospital.
Na última segunda-feira (13/7), Maria Aparecida Galdino dos Santos morreu após dar à luz no Hospital Regional de Samambaia (HRSam). Segundo a família, ela deu entrada no Hospital de Samambaia ainda no domingo e teria solicitado que fosse feita uma cesárea, mas o pedido foi ignorado pela equipe médica.
A bebê, Helena, nasceu apenas no dia seguinte, por volta das 14h. Após o nascimento da criança, a equipe hospitalar percebeu que parte da placenta ainda estaria dentro da paciente. Apesar da realização de um procedimento, a mulher morreu devido à hemorragia.
Em junho, um homem em situação de rua, identificado como Vilmar Pereira da Silva morreu sentado em uma cadeira de rodas na recepção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas. O caso é investigado como possível omissão de socorro.

