O jornalista Leandro Mazzini lança, em 28 de agosto, o livro Depois do Papel – A Reinvenção da Imprensa na Era da Internet. A obra aborda os obstáculos, as crises e as novas facetas do jornalismo em meio às transformações provocadas pelo avanço da tecnologia. O lançamento será realizado a partir das 16h, na Casa de Chá, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Com 30 anos de carreira, o autor apresenta, na publicação da Editora Senac, um panorama sobre a trajetória dos jornais impressos e digitais, com foco no crescimento das mídias on-line nas redações ao redor do mundo. Ao Metrópoles, Mazzini adiantou algumas reflexões presentes no livro.
Leia também
O jornalista afirma que o jornalismo impresso morreu ou está à beira da morte. Para ilustrar a análise, ele desafia o leitor a encontrar alguém folheando um jornal em papel em locais como aeroportos ou metrôs. “Esse público sumiu. O jornal está na tela”, explica.
A experiência no mercado editorial também ajudou Mazzini a identificar os fatores que contribuíram para o enfraquecimento das publicações vendidas em bancas ou entregues por jornaleiros. Além do avanço das tecnologias digitais, ele destaca o alto custo de manutenção das gráficas como um dos principais desafios enfrentados pelo setor.
“Os jornais impressos já morreram, mas o velório é caro. O modelo morreu e é caro se desfazer dele, porque custa milhões de reais a um empresário ‘sucatear’ uma gráfica, mesmo para venda”, opina.





Cliente receberá em dobro valor de celular não entregue por empresa
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFotoO escritor acrescenta que, com o desaparecimento do público das bancas, o financiamento do mercado de notícias se tornou mais complexo. “Hoje, a maior ameaça ao jornalismo e aos veículos é a falta de investimento financeiro. Sem ele, o repórter não vai para a rua”, observa.
Em um cenário dominado por telas e pela disseminação de fake news, um único repórter passou a produzir conteúdo para diferentes plataformas, como internet, rádio e televisão. Para Mazzini, uma das formas de preservar uma produção jornalística séria e bem apurada está na múltipla checagem das informações, processo que ele chama de re-check.
“É como a contra-inteligência da polícia: há os que verificam e vigiam quem investiga. Nas redações sérias de grandes jornais americanos, por exemplo, temos isso. O re-check de apuração de um núcleo especial para verificar o que o repórter apurou e está prestes a publicar”, explica.

