Membros do Itamaraty avaliam que houve uma “politização evidente” na decisão do governo Donald Trump de recorrer à Seção 301 da legislação comercial americana para impor um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros.
Sob reserva, diplomatas ouvidos pela coluna rebatem a justificativa apresentada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, de que o presidente Lula e integrantes do governo brasileiro “não teriam negociado de boa-fé”.




Donald Trump
Kevin Dietsch/Getty ImagesPalácio do Itamaraty
Reprodução/Ana de Oliveira/AIG-MRERubio diz que EUA já estão enviando equipes de ajuda à Venezuela
Kevin Dietsch/Getty ImagesIntegrantes do Itamaraty ressaltam que houve mais de 30 reuniões entre representantes dos governos brasileiro e americano, algumas delas com a participação do próprio Rubio e do representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
“Por iniciativa nossa, na esmagadora maioria dos casos”, afirmou à coluna um integrante da diplomacia brasileira.
Diplomatas também contestam o argumento do governo Trump sobre o aumento do desmatamento. “Negociar o que no caso do desmatamento, se reduzimos à metade o desmatamento na Amazônia entre 2022 e 2025?”, diz uma fonte.
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Na avaliação de diplomatas do alto escalão do Itamaraty, a motivação política da decisão americana seria evidente. Eles lembram que o Brasil havia sido enquadrado inicialmente na faixa mínima do chamado “tarifaço”, com alíquota de 10%.
“Politização evidente. Lembre-se que o Brasil estava nos 10%, o degrau mais baixo do tarifaço, e a partir do tuíte do Trump, em 9/7/2025, passou para 50%, por expressa motivação política. É só resgatar o texto daquela postagem, que exige a impunidade do ex-presidente pelo golpe fracassado, então em julgamento no STF”, afirma um diplomata.
Para a cúpula do Itamaraty, a Seção 301 usada pelo governo Trump como uma alternativa para manter a pressão comercial sobre o Brasil, caso a tarifa linear de 10% fosse barrada pela Justiça americana, como acabou ocorrendo.
“A teimosia deles com os dados falsos de desmatamento mostra quem não negociou de boa-fé”, disse à coluna um influente embaixador do Itamaraty.

