A política brasileira acaba de produzir mais uma cena que oscila entre a comédia pastelão e o cinismo puro. Para escapar do cerco do STF – que, na figura do ministro Alexandre de Moraes, cobrou explicações após a divulgação de uma carta política em que Jair Bolsonaro pedia união em torno de Flávio -, o ex-presidente não hesitou em jogar o próprio primogênito aos leões.
Em petição enviada ao STF, a defesa do patriarca alegou que a “carta aos brasileiros” era apenas um desabafo íntimo, de uso estritamente pessoal, e que Flávio a divulgou nas redes sociais sem qualquer tipo de autorização.
Conversa… era para guardar no bolso a carta endereçada “aos brasileiros” e oficializando o filho como seu porta-voz?
A cereja desse bolo de constrangimento é que o próprio Flávio assina a petição que o humilha publicamente. O senador, que se registrou como um dos advogados de defesa do pai unicamente para ter trânsito livre na prisão domiciliar, foi obrigado a subscrever a peça jurídica que o carimba como um traidor indisciplinado e linguarudo. É uma esquete digna do Porta dos Fundos: o filho assina o documento que atesta a sua própria culpa para livrar a pele do pai de uma eventual volta para a Papuda.
Essa humilhação doméstica coroa uma das piores semanas da vida pública do herdeiro, que assiste à sua pré-campanha presidencial derreter a olhos vistos, mesmo que Valdemar Costa Neto tente negar.

