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Diplomata é acusado de chamar funcionárias de “bruxas” e "fujona"

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Diplomata é acusado de chamar funcionárias de “bruxas” e "fujona"

As duas cartas coletivas encaminhadas por funcionários do Consulado-Geral do Brasil em Hong Kong ao Itamaraty, em 4 de março e 24 de abril de 2026, relatam que o diplomata Hervelter de Mattos (foto em destaque) chamava uma funcionária de “a empregada do cachorro”, em referência às tarefas relacionadas ao animal de estimação do embaixador Wladimir Valler Filho.

Segundo os autores dos documentos, o diplomata também se referia a colegas pelos apelidos “Bruxa 1”, “Bruxa 2”, “Bruxa 3” e “Fujona”.

Eles afirmam ainda que Hervelter disse “I don’t see dead people” (“eu não vejo pessoas mortas”, em tradução livre) ao se referir a um contratado local e declarou que não pisaria no setor consular porque o ambiente estaria “poluído” pela presença de determinada servidora.

Os relatos também atribuem ao conselheiro uma postura intimidatória. De acordo com os funcionários, ele dizia que comunicaria supostas desobediências diretamente ao chefe do posto diplomático e afirmava possuir influência no Itamaraty.

Outro episódio descrito nas cartas envolve a orientação para que subordinados ignorassem ou apagassem e-mails enviados ao consulado, inclusive mensagens encaminhadas pela responsável pela promoção da língua e da cultura brasileiras na região para a realização de eventos.

Perseguição e intimidação

O Metrópoles revelou nesta quinta-feira (16/7) que os mesmos documentos também atribuem ao embaixador Wladimir Valler Filho episódios de perseguição, intimidação e outras condutas que, segundo os autores, tornaram o ambiente de trabalho “insustentável”.

Os servidores pedem ao Ministério das Relações Exteriores que apure os fatos narrados, adote as providências cabíveis e assegure proteção aos servidores contra possíveis retaliações.

Os relatos também apontam mudanças na administração do consulado. Segundo os funcionários, duas auxiliares administrativas recém-contratadas passaram a atuar na contabilidade, enquanto uma servidora que havia chefiado o setor por quase três anos permaneceu afastada dessas atividades.

Na avaliação dos autores, a alteração deixou uma área considerada estratégica sob responsabilidade de funcionárias em período probatório e contribuiu para a desorganização do posto. Eles também afirmam que contratados locais passaram a exercer atividades incompatíveis com seus cargos e remuneração.

Outro trecho das cartas relata que havia 129 e-mails sem resposta na caixa institucional do setor cultural, alguns enviados desde 4 de novembro de 2025. Entre eles estavam pedidos de apoio institucional, propostas culturais, contatos de instituições de ensino e ofertas de trabalho voluntário. Segundo os funcionários, a situação contribuiu para uma “paralisia institucional” da área cultural.

Os autores afirmam que, embora o conselheiro justificasse o acúmulo de mensagens por uma “escassez sem precedentes de pessoal no setor cultural”, havia servidores disponíveis para desempenhar essas atividades.

Em 7 de julho, o Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty) informou, em publicação nas redes sociais, que “continuará acompanhando a implementação das medidas decorrentes das investigações, monitorando as condições de trabalho da equipe local” e permanecerá “à disposição para receber relatos das servidoras e dos servidores e atuar na defesa de um ambiente de trabalho seguro e respeitoso”.

Procurado, o Ministério das Relações Exteriores confirmou o recebimento de duas cartas encaminhadas pelo Sinditamaraty e informou que as denúncias foram protocoladas na Corregedoria do Serviço Exterior, onde deram origem a um procedimento investigativo que resultou na proposta e na recente assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) pelos denunciados.

A pasta afirmou ainda que “a remoção da servidora mencionada na consulta não tem qualquer relação com os fatos objeto do procedimento investigativo em questão”.

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