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Versão em comprimido do Wegovy aguarda aprovação para chegar ao Brasil

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Versão em comprimido do Wegovy aguarda aprovação para chegar ao Brasil

O Wegovy, versão do Ozempic de aplicação semanal para o tratamento da obesidade, ganhou uma nova apresentação: o comprimido. A forma oral do medicamento começou a ser vendida no Reino Unido após receber autorização da agência reguladora britânica (MHRA) e também está disponível nos Estados Unidos.

Porém, ainda não há data definida para a chegada do comprimido ao Brasil. A Novo Nordisk, fabricante do medicamento, já protocolou na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o pedido de registro do Wegovy em comprimidos (semaglutida oral 25 mg) para o tratamento da obesidade, mas o requerimento ainda está em análise.

Antes de qualquer novo medicamento ou apresentação chegar ao mercado brasileiro, a Anvisa precisa analisar dados de qualidade, segurança e eficácia. Somente após uma eventual aprovação o produto poderá ser comercializado no país.


O que já se sabe sobre o Wegovy em comprimido

  • Já é vendido nos Estados Unidos e começou a chegar ao Reino Unido.
  • Ainda não há previsão de chegar ao Brasil. O pedido de registro está em análise na Anvisa.
  • Os estudos clínicos indicam eficácia semelhante para perda de peso em comparação com a versão injetada.
  • O tratamento deve ser acompanhado por alimentação equilibrada e atividade física.
  • É o mesmo medicamento. O princípio ativo continua sendo a semaglutida.
  • O comprimido pode ser uma alternativa para alguns pacientes, mas a escolha da apresentação deve ser feita com orientação médica.

Para o endocrinologista Felipe Henning Gaia Duarte, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional São Paulo (SBEM-SP), a principal novidade do comprimido não está em superar os resultados da aplicação semanal, mas em oferecer outra forma de tratamento.

“A pílula do Wegovy não é mais eficaz do que a injeção — ela é igualmente eficaz, e esse é exatamente o ponto. Pela primeira vez, um remédio para obesidade em comprimido entrega o mesmo resultado que as famosas canetas semanais”, afirma.

Como o comprimido age no organismo?

Assim como a versão injetável, o comprimido contém semaglutida, substância que imita a ação do hormônio GLP-1, produzido naturalmente pelo intestino após as refeições.

Na prática, o medicamento aumenta a sensação de saciedade, reduz a fome e retarda o esvaziamento do estômago, favorecendo a diminuição da ingestão de alimentos. O tratamento deve ser associado à alimentação saudável e à prática regular de atividade física.

Segundo Duarte, a formulação utiliza uma tecnologia chamada SNAC, ou salcaprozato de sódio, que ajuda a proteger a semaglutida no estômago e facilita a absorção do medicamento.

“É como se o SNAC fizesse as vezes de um ‘guarda-costas’ para a semaglutida, garantindo que ela chegue intacta à corrente sanguínea”, explica o endocrinologista.

Segundo a Novo Nordisk, a eficácia do comprimido foi demonstrada no estudo clínico OASIS 4, que acompanhou adultos com obesidade ou sobrepeso associado a outra condição relacionada ao peso durante 64 semanas.

Na análise dos participantes que seguiram corretamente o tratamento, a perda média de peso chegou a 16,6%. Já na avaliação geral dos participantes, a redução média foi de aproximadamente 13,6%.

Durante o estudo, todos receberam orientação para manter uma dieta com menos calorias e aumentar a prática de atividade física. Os resultados são considerados semelhantes aos observados com a versão injetável da semaglutida, embora comparações entre estudos diferentes devam ser interpretadas com cautela.

O especialista ressalta que a apresentação oral também pode ampliar as opções para pessoas que evitam ou têm dificuldade com aplicações.

“Isso significa que milhões de pessoas que não usavam o tratamento por medo de agulha, por dificuldade logística ou por preferência pessoal agora têm uma opção real. Na medicina, quando o efeito é o mesmo e a adesão ao tratamento melhora, os resultados para os pacientes — e para a saúde pública — só tendem a ser melhores”, afirma Duarte.

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