Nesta terça-feira (14/7), o Tribunal do Júri condenou Antônio Ailton da Silva, de 43 anos, a mais de 29 anos de prisão por ter matado a motorista de aplicativo Ana Rosa Rodolfo de Queiroz Brandão, ais 49, em fevereiro de 2025. O crime ocorreu na região do Cruzeiro, no Distrito Federal.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) revelou que o acusado escolheu a vítima por ser mulher, o que revela “escolha racional do alvo e exploração consciente da vulnerabilidade da ofendida”.
O documento ainda cita o modus operandi do réu que teria estrangulado a vítima e, após a motorista sobreviver, aplicou golpes de faca contra Ana Rosa — sendo a causa da morte o traumatismo torácico.
O MPDFT apontou que o comportamento de Antônio da Silva “revela frieza, deliberação e desprezo pela vida humana”.
“A conduta social do réu merece valoração negativa, evidenciada por comportamento misógino e histórico de violência de gênero”, diz trecho do documento.






Ana Rosa trabalhava como motorista de aplicativo
Reprodução/redes sociaisEla morava em Valparaíso (GO), no Entorno do Distrito Federal
Reprodução/redes sociaisMotorista de aplicativo foi assassinada no Cruzeiro Velho
Reprodução/redes sociaisAna Rosa Rodolfo de Queiroz Brandão, 49 anos, morreu em 26 de fevereiro, no Cruzeiro Velho. Ela foi estrangulada e esfaqueada pelo ex-pastor Antônio Ailton da Silva, 43 anos
Reprodução/redes sociaisAna Rosa tinha 49 anos
Reprodução/redes sociaisFilhos ficaram órfãos
O Ministério apresentou ainda a parte do marido, que conforme o documento, Ana Rosa teria ligado para o marido enquanto estava machucada e falado: “Amor, estou morrendo”.
A mulher trabalhava há cinco anos como motorista de aplicativo e deixou dois filhos. O mais novo, com 13 anos na época do caso, ficou mais recluso e quase não conversa desde o crime, apontou o MP. Também foi tirado de Ana Rosa o direito de conhecer a própria neta, que nasceu em novembro de 2025.
“A privação imposta ao filho, ainda menor de idade e adolescente, do convívio, da assistência afetiva e da assistência material da genitora, aliada ao quadro de reclusão emocional e restrição da sociabilidade dele decorrente, bem como a impossibilidade absoluta de a neta conhecer a avó, materializam consequências que sobrelevam as verificas em crimes da espécie e justificam majoração da pena base”, diz em trecho do documento.
A defesa de Antônio defendeu que o crime fosse desclassificado como feminicídio e enquadrado apenas como latrocínio — roubo seguido de morte. O juiz de direito, no entanto, recusou a proposta da defesa e fixou que a pena de 29 anos, 9 meses e 15 dias seja cumprida inicialmente em regime fechado.
Relembre o caso
Morta após ser esfaqueada dentro do próprio carro enquanto trabalhava, na manhã de 26 de fevereiro de 2025, a motorista de aplicativo Ana Rosa Rodolfo de Queiroz Brandão, de 49 anos, foi assaltada no Cruzeiro Velho e esfaqueada pelo réu. Depois do ataque, porém, a vítima chegou a ligar para o marido para pedir socorro e dizer que “estava morrendo”.
Uma testemunha que trabalhava próximo ao local do crime relatou à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que ouviu um barulho de freada de carro e, depois, o som de arrancada do veículo. Pouco depois, viu o suspeito sair do automóvel de Ana Rosa, um Volkswagen Voyage preto, e fugir.
Quando se aproximou do veículo, a testemunha viu a vítima no momento em que “jogava o corpo” do banco do passageiro para o do condutor. Ana Rosa afirmou que trabalhava como motorista de aplicativo e que tinha sido assaltada. A depoente também estava presente quando a vítima ligou para o marido, pouco antes de morrer.
Ana era moradora de Valparaíso (GO), no Entorno do Distrito Federal. Além do marido, Ana Rosa deixou dois filhos, um de 23 e um de 13 anos.
Antônio Ailton da Silva, de 43 anos, foi preso pela Polícia Militar (PMDF) momentos depois do crime na Quadra 504 do Sudoeste.

