Cinco empresas alvo de investigação do Ministério Público da Bahia firmaram, juntas, ao menos R$ 321 milhões em contratos com a Prefeitura de Salvador entre 2015 e julho de 2026, período que abrange as gestões do ex-prefeito ACM Neto (União) e do atual prefeito Bruno Reis (União).
A operação deflagrada pelo MP-BA na segunda-feira (13/7) aponta que G3 Polaris Serviços, MP2 Construções, LN Distribuidora e Comércio, Podium Distribuidora e WLSP Logística e Transportes integrariam um grupo suspeito de fraudar licitações, direcionar contratos públicos e superfaturar pagamentos.




ACM Neto, vice-presidnte do União Brasil, já foi informado sobre posspivel mudança de partido de Caiado
Reproduçã/União BrasilBruno Reis
@brunoreisba/Instagram/ReproduçãoAo longo de 11 anos, as empresas prestaram serviços para diversas secretarias municipais e para o gabinete dos prefeitos.
Entre as cinco empresas, a G3 Polaris foi a que mais recebeu recursos da Prefeitura de Salvador: R$ 124,8 milhões. Depois de faturar menos de R$ 1 milhão no primeiro ano de contratos, os repasses cresceram de forma expressiva e chegaram à marca de R$ 25 milhões anuais nos últimos anos.
A Podium Distribuidora aparece em seguida, com R$ 85,5 milhões em pagamentos desde 2015. A empresa manteve contratos com as secretarias de Saúde e de Manutenção e também prestou serviços diretamente ao Gabinete do Prefeito durante a gestão de ACM Neto, em 2018.
As demais empresas investigadas também acumularam valores expressivos: a LN Distribuidora e Comércio recebeu R$ 45,4 milhões; a WLSP Logística e Transportes, R$ 37,6 milhões; e a MP2 Construções, R$ 27,7 milhões.
Segundo o Ministério Público, uma das sócias da MP2 seria utilizada como suposta testa de ferro do grupo. Mesmo após o avanço das investigações, a empresa firmou novos contratos com o município e já recebeu R$ 1,68 milhão em 2026.
Quanto cada empresa recebeu entre 2015 e julho de 2026
- G3 Polaris Serviços: R$ 124.839.733,73
- Podium Distribuidora: R$ 85.496.159,40
- LN Distribuidora e Comércio: R$ 45.402.729,70
- WLSP Logística e Transportes: R$ 37.673.075,97
- MP2 Construções: R$ 27.751.575,09
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Salvador não se manifestou até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Entenda a investigação
Conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, a investigação do MPBA aponta um prejuízo estimado em R$ 38,3 milhões aos cofres municipais.
Por determinação da Justiça, foram afastados o secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, Luciano Sandes, e o vereador George Gordinho da Favela (PP-BA).]
Segundo o Ministério Público, os dois são investigados por suposta participação em um esquema de direcionamento de contratos públicos.
As apurações indicam que as irregularidades ocorreram em contratos celebrados pela Secretaria Municipal de Manutenção (Seman), comandada por Luciano Sandes entre 2021 e 2023, e pela Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal).
De acordo com o MP-BA, o esquema seria composto por agentes públicos e empresários que atuavam de forma coordenada para direcionar licitações e assegurar pagamentos irregulares.
Os investigadores sustentam que as cinco empresas compartilhavam estrutura operacional, recursos e interesses econômicos, funcionando como um único grupo para obter contratos com a administração municipal.

