O governo da Venezuela tem atuado ao lado de Israel para reconstruir o país, fortemente abalado após dois terremotos seguidos no fim de junho. Em um comunicado divulgado no domingo (12/7), militares afirmaram que um plano de recuperação para a nação caribenha foi desenvolvido por israelenses, e já começou a ser implementado.
Desde o início do mês especialista israelenses atuam na Venezuela. Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, a equipe trabalha na reestruturação e em avaliações em edifícios danificados pelos tremores.
Os números da tragédia após terremotos
- 4.490 mil mortes
- 16.740 mil pessoas feridas
- 6.462 mil sobreviventes resgatados
- 17.907 mil pessoas desabrigadas
- 856 edifícios afetados
- 190 instalações colapsadas
- 32.401 mil pacientes atendidos
“Como parte da missão, os membros da delegação realizaram visitas aos locais, informaram os moradores sobre a condição dos edifícios e realizaram avaliações de engenharia”, disse um comunicado divulgado pelas Forças de Defesa de Israel (FDI). “Além disso, iniciou-se a implementação do plano nacional de recuperação após terremotos. O plano foi desenvolvido por uma equipe de especialistas do Comando da Frente Doméstica em Israel e aprovado pelo Presidente da Venezuela, o Ministro da Infraestrutura e a equipe local responsável pelo projeto”.
Maiores detalhes sobre o plano de recuperação do país não foram divulgados. O governo venezuelano também não se pronunciou sobre o assunto.
No sábado (11/7), a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, rejeitou uma proposta do governo da Colômbia sobre Bogotá liderar a reconstrução nas áreas mais afetadas no território venezuelano.
Leia também
Relações Israel x Venezuela
O trabalho em conjunto entre venezuelanos e israelenses acontecem apesar da ausência de relações diplomáticas entre os dois países.
Desde 2009, Israel e Venezuela não mantém laços formais após o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez cortar as relações. Na época, o líder chavista justificou o afastamento como sendo uma retaliação as ações militares israelenses na Faixa de Gaza.
A colaboração também coincide com a mudança na política externa venezuelana após a captura de Nicolás Maduro, em janeiro deste ano.
Após a queda do ex-presidente, a atual líder do país, Delcy Rodríguez, alinhou a Venezuela aos interesses do governo de Donald Trump.
O maior exemplo aconteceu justamente no setor apontado pelo presidente dos Estados Unidos como uma das maiores razões para a presença norte-americana no país: o petrolífero.
Nos últimos meses, o governo interino de Rodríguez tem adotado uma série de medidas que abriu o setor petrolífero do país para investimentos estrangeiros — e também negociações com gigantes do petróleo dos EUA.
Por conta do alinhamento com Washington, a administração da herdeira política de Maduro é contestada por analistas e parte da comunidade internacional. Neste fim de semana, o jornal The New York Times publicou uma longa reportagem onde o secretário de Estado dos EUA,
Marco Rubio, é apontado como o líder de fato na Venezuela, e seria o responsável por “dar as cartas” no país por meio de conversas diretas com Delcy.

